A internet está em ebulição. E, se você achava que O Diabo Veste Prada era apenas um filme icônico dos anos 2000 que ganhou continuação, prepare-se: desta vez, a alta-costura esbarrou na geopolítica e transformou uma campanha de moda em uma guerra nas redes sociais.
O centro da polêmica é Saint Levant (Marwan Abdelhamid), rapper palestino escolhido como novo embaixador global da Prada. A nomeação desencadeou uma onda de críticas de organizações pró-Israel e de combate ao antissemitismo, que acusam o artista de promover discursos hostis contra judeus e Israel.
Tudo começou com a campanha da coleção masculina da Prada, apresentada em Milão. O detalhe que incendiou o debate foi um pingente usado por Saint Levant com o mapa da Palestina. O símbolo literalmente varre Israel do mapa e representa a negação da existência do Estado israelense.
A polêmica ganhou outra dimensão quando voltaram a circular vídeos e declarações do rapper durante um show em Amsterdã. Organizações como StopAntisemitism e HonestReporting e a StandWhitUs (veja o vídeo) denunciam que ele celebrou ataques violentos contra torcedores israelenses e acusaram a Prada de dar projeção global a alguém que flerta com o discurso de ódio.
Do outro lado da disputa, a reação foi imediata. O rapper respondeu no X (antigo Twitter): “Eles odeiam ver um palestino vencer”. A frase viralizou e milhares de usuários passaram a declarar apoio ao artista e prometeram comprar produtos da Prada como reação às campanhas de boicote.
O risco é transformar discursos extremistas em produtos de consumo, estética e influência digital, fazendo com que o preconceito — seja antissemitismo ou qualquer outra forma de intolerância — passe a ser consumido como identidade, estilo e posicionamento cultural. Se o ódio vira tendência, a sociedade perde a capacidade de distinguir o que deve ou não ser normalizado.
Enquanto a disputa domina as redes sociais, a Prada mantém silêncio estratégico. Até o momento, a marca não divulgou comunicado nem respondeu publicamente às críticas.
É justamente aí que está o problema: a polêmica vira marketing, o engajamento fortalece a marca e a Prada parece lucrar com a lacração, enquanto uma narrativa cercada por acusações de discurso de ódio ganha ainda mais alcance entre os jovens.



