MPE cobra partidos, mas empurra o problema: se o candidato é do crime, por que está solto?

Por Jefferson Lemos* O Ministério Público Eleitoral resolveu apertar os partidos políticos. Em recomendação enviada às legendas, deu dez dias para que apresentem medidas destinadas a impedir a infiltração de facções criminosas e milícias nas eleições de 2026. Mas a


Por Jefferson Lemos* 

O Ministério Público Eleitoral resolveu apertar os partidos políticos. Em recomendação enviada às legendas, deu dez dias para que apresentem medidas destinadas a impedir a infiltração de facções criminosas e milícias nas eleições de 2026.

Mas a medida também levanta uma pergunta incômoda: se alguém tem ligação comprovada com o crime organizado, por que ainda estaria em liberdade, apto a votar, filiar-se a um partido e disputar uma eleição?

Quando houver provas suficientes, a resposta deveria começar muito antes das convenções partidárias, com a atuação das polícias, do próprio Ministério Público e da Justiça Criminal.

A ofensiva do MPE surge após episódios registrados nas eleições de 2024, quando investigações apontaram a atuação do crime organizado para intimidar eleitores, influenciar candidaturas e até interferir no resultado das urnas.

A iniciativa é importante para reforçar o controle interno dos partidos. O problema é que ela também expõe uma contradição: **por que a responsabilidade de barrar a infiltração do crime organizado está sendo transferida às legendas?

Se uma pessoa tem ligação comprovada com uma facção criminosa ou uma milícia, o problema não deveria começar na convenção partidária. Deveria começar muito antes, com investigação, denúncia, julgamento e, quando cabível, prisão. Em vez disso, a impressão é que o Estado só acende o alerta quando esses grupos tentam transformar seu poder territorial em poder político.

Os próprios casos citados pelo Ministério Público mostram a dimensão do problema. Em Santa Quitéria (CE), a Justiça cassou o prefeito e o vice após concluir que integrantes do Comando Vermelho atuaram para influenciar a eleição com ameaças a eleitores e suspeitas de compra de votos. Em São Paulo, o TRE informou que 12 pessoas investigadas por suposta ligação com organizações criminosas conseguiram se eleger em 2024. No Rio de Janeiro, candidaturas também foram barradas por suspeitas de vínculos com milícias.

Como resposta, o MPE recomendou que os partidos exijam certidões, analisem patrimônio, histórico social e criem comissões de ética para filtrar candidatos.

Mas, se o crime organizado já chegou ao ponto de disputar eleições, talvez o problema não seja apenas quem registra uma candidatura. O problema é que o Estado permitiu que essas organizações chegassem tão perto do poder.

  • Jefferson Lemos é jornalista e comentarista político



Com informações da fonte
https://coisasdapolitica.com/opiniao/05/07/2026/mpe-cobra-partidos-mas-empurra-o-problema-se-o-candidato-e-do-crime-por-que-esta-solto

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