“Muitas coisas que a gente conhece da vida e do repertório do Michael Jackson são salpicadas. O lance da pele dele é salpicado num comentário. O lance da dependência dele por analgésicos e drogas é salpicado também, mas nunca é aprofundado”, acrescentou Sadovski.
Para o crítico, com os irmãos de Jackson atuando como produtores executivos, a palavra final criativa ficou com pessoas diretamente interessadas na imagem do cantor. Por isso, ele esperava um resultado “insípido”, mas considerou que o filme escapa desse destino em alguns momentos.
O apresentador Yuri Moraes concordou que o longa favorece o personagem principal. “O filme conta uma história que todo mundo já sabe, que o pai era muito mão de ferro com ele. Só que é um recorte muito conveniente para Michael Jackson”, afirmou ele.
O principal vazio, segundo os dois, é a ausência de qualquer menção às acusações de abuso sexual infantil e ao modo como o artista se cercava de crianças. Sadovski disse que o filme se define como uma “celebração” da música e deixa o tema de fora.
A intenção do filme é ser uma celebração da música do Michael Jackson. A vida dele foi muito atribulada por processos de abuso sexual infantil, do modo como ele se relacionava e aliciava fãs mais jovens. Absolutamente nada disso é levantado no filme.
Roberto Sadovski
Sadovski acrescentou que o recorte escolhido para o longa termina antes de as acusações surgirem, o que torna a omissão mais “conveniente”.
2026-04-23 06:30:00



