Nesta semana, a Polícia Civil começou a investigar um crime de estupro coletivo na Zona Oeste do Rio. De acordo com as investigações, uma adolescente de 12 anos foi abusada por oito menores em Campo Grande. O caso apresenta muitas similaridades com outro estupro coletivo ocorrido no Rio, quando uma jovem de 17 anos foi abusada por cinco pessoas no dia 31 de janeiro, em Copacabana, na Zona Sul. Saiba o que aconteceu com cada um dos envolvidos no crime.
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Após a investigação do caso, quatro homens foram indiciados por participação no crime. Eles respondem ao processo na justiça comum. No grupo, tem jovens com passagem por instituições tradicionais de ensino da cidade, como o Colégio Pedro II e universidades públicas.
Entre eles está Vitor Hugo Oliveira Simonin, de 18 anos, acusado tanto neste caso quanto em outra denúncia de violência sexual. Ele é filho de José Carlos Costa Simonin, ex-subsecretário estadual de Governança, Compliance e Gestão Administrativa, órgão vinculado à Secretaria Estadual de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos. O pai foi exonerado do cargo horas antes de o filho se apresentar na delegacia na época. Vitor Hugo estudava no Colégio Pedro II, que abriu processo administrativo para desligá-lo.
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Outro acusado é Mattheus Veríssimo Zoel Martins, ex-aluno do colégio Intellectus, em Botafogo, e ex-atleta da categoria sub-20 do S.C. Humaitá. Ele está preso e também é alvo de investigação em outro caso de estupro coletivo, denunciado por uma jovem que afirma ter sido vítima quando tinha 14 anos.
João Gabriel Xavier Bertho, de 19 anos, era jogador de futebol e atuava pelo Serrano FC. Ele foi preso, e o clube anunciou o afastamento imediato e a suspensão do contrato após a expedição do mandado.
Bruno Felipe dos Santos Allegretti, de 18 anos, cursava Ciências Ambientais na Unirio. Ele também está preso.
Menor foi internado
Já o menor envolvido no caso teve a internação determinda pela Justiça do Rio. A decisão aponta que o menor teve papel central ao atrair a vítima para uma “emboscada” e atribui peso decisivo ao depoimento da jovem vítima de 17 anos. Na sentença, a juíza Vanessa Cavalieri, da Vara da Infância e da Juventude da Capital, afirmou que, em crimes sexuais, “a palavra da vítima tem especial relevância e credibilidade” e destacou que o relato foi determinante para a responsabilização.
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Ao fundamentar a medida, a magistrada concluiu que o adolescente foi o responsável por convidar a vítima — com quem já havia tido um relacionamento — para o apartamento na Rua Ministro Viveiros de Castro, onde ocorreram as agressões na noite de 31 de janeiro, ressaltando que houve planejamento da ação, caracterizado como uma “emboscada”.
A decisão judicial estabelece a aplicação de medida socioeducativa de internação, sem possibilidade de atividades externas por um período inicial de seis meses. A juíza afirmou que “a gravidade da infração” e “a violência empregada” justificam a decisão e apontou “falha da rede familiar em prover limites adequados”. Exames periciais identificaram múltiplas lesões, incluindo equimoses e escoriações pelo corpo e sangramento na região genital da adolescente vítima.
O crime
Segundo o inquérito, a adolescente foi convidada para o apartamento por um jovem de 17 anos, com quem já havia tido um relacionamento. Ela foi sozinha. No elevador, ouviu dele a sugestão de que fariam “algo diferente”. Ao chegar no imóvel, ela notou a presença de outros adolescentes.
A jovem relatou que, após ir para um quarto com o adolescente, os demais passaram a invadir o cômodo. Inicialmente, observaram e fizeram comentários. Depois, segundo o depoimento, começaram os toques sem consentimento. Mesmo após protestos, os quatro maiores de idade retornaram ao quarto e, de acordo com o relato, a situação evoluiu para cerca de uma hora de violência sexual e agressões físicas.
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Ela afirmou ter sido puxada pelos cabelos, agredida com tapas, chutes e socos e impedida de sair quando tentou deixar o local. Disse que continuou sendo violentada mesmo após pedir que parassem. Ao sair do prédio, por volta das 20h25, enviou um áudio ao irmão dizendo que “achava que tinha sido estuprada”. Em casa, contou o ocorrido à avó, que a levou à delegacia naquela noite.
O exame de corpo de delito apontou múltiplas lesões — equimoses e escoriações no dorso e nas laterais do corpo, marcas na região glútea e sangramento na genitália — compatíveis com violência física recente.
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