Familiares de crianças e adolescentes vítimas da violência policial e mortos durante operações participaram, nesta segunda-feira (18), de um encontro na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) para cobrar justiça e discutir os impactos causados na população do estado.
Entre os presentes estavam os pais de João Pedro, morto aos 14 anos durante uma operação conjunta das polícias Civil e Federal no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, em maio de 2020. Segundo as investigações, o disparo que atingiu o adolescente partiu da arma de um policial. A casa onde ele estava ficou marcada por mais de 70 tiros.
O encontro foi conduzido pelo deputado Professor Josemar (PSOL), que afirmou que os familiares ainda enfrentam demora na responsabilização dos agentes envolvidos nos casos.
Pais de João Pedro cobram resposta da Justiça
Seis anos após a morte de João Pedro, os pais do adolescente ainda aguardam o julgamento dos acusados. Em primeira instância, os policiais envolvidos no caso foram absolvidos, mas a decisão foi revertida e os réus serão submetidos a júri popular.
O pai do jovem, Neilton Pinto, criticou a demora para a conclusão do processo. Já a mãe de João Pedro, Rafaela Mattos, disse que a família segue aguardando a marcação do julgamento.
“Estamos há mais de um ano esperando pela data do júri popular. Aguardamos que a justiça aconteça”, declarou.
Rafaela também lamentou a perda do filho: “o que mais marca é que, hoje, não posso estar com ele. São seis Dias das Mães sem o João”.
Entidades denunciam impacto da ‘violência de estado’ nas periferias
Representantes de organizações ligadas aos direitos humanos também participaram do encontro na Alerj. A vice-presidente do Conselho Estadual da Defesa da Criança e do Adolescente, Mônica Alckmin, criticou a política de segurança pública do estado.
“O estado do Rio tem o maior número de organizações de familiares vítimas do estado e isso já diz muito sobre a política de segurança que existe”, afirmou.
Já Andresa Oliveira, do Movimento Negro Evangélico, afirmou que a população negra precisa ter garantido o direito de viver sem violência.
Também participaram da reunião a ex-vereadora Mônica Cunha (PSOL), a ouvidora da Defensoria Pública Fabiana Silva e o ex-ouvidor Guilherme Pimentel.
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https://temporealrj.com/violencia-policial-alerj-vitimas/



