Críticas ao Rio e o pano de fundo político
Enquanto aliados do presidente Lula intensificam críticas à segurança pública do Rio de Janeiro, um escândalo de grandes proporções na Bahia — governada pelo PT — lança dúvidas sobre o foco desse debate. As acusações contra o Rio podem estar sendo usadas como palanque político, ao mesmo tempo em que ajudam a desviar a atenção de um problema mais amplo: a expansão do crime organizado no país.
Sistema prisional sob suspeita
Investigações revelam um cenário alarmante — e ainda pouco explorado no debate público — dentro do sistema prisional baiano. Facções criminosas operavam com regalias e, segundo apurações, com possível conivência de agentes públicos.
Regalias e até velório dentro de presídio
No centro do caso está o Conjunto Penal de Eunápolis. Ali, traficantes não apenas tinham acesso às chaves das próprias celas, como também promoviam eventos dentro da unidade — incluindo um velório com caixão realizado no interior do presídio. O caso veio à tona no âmbito da Operação Duas Rosas, conduzida pelo Ministério Público da Bahia, que investiga a ligação entre políticos locais e o grupo criminoso PCE, associado ao Comando Vermelho.
Fuga planejada e delação
A investigação aponta que a então diretora da unidade, Joneuma Silva Neres, teria facilitado benefícios aos detentos e colaborado com o plano de fuga de 16 presos, em dezembro de 2024. Em delação premiada, ela admitiu ter conhecimento da ação. Entre os fugitivos estava Ednaldo Pereira de Souza, o “Dada”, apontado como líder da facção.
Político preso e conexões suspeitas
O caso ganhou ainda mais gravidade com a prisão do ex-deputado federal Uldurico Júnior, suspeito de intermediar a fuga em troca de R$ 2 milhões. Segundo as investigações, ele teria indicado a diretora do presídio e mantinha contato direto com lideranças criminosas dentro da unidade.
Uldurico era filiado ao MDB, partido que se reaproximou do PT em 2022 ao integrar a base do governo de Jerônimo Rodrigues. O ex-deputado deixou a sigla na última janela partidária, migrando para o PSDB.
Controle estatal fragilizado
Relatórios indicam que os presos desfrutavam de livre circulação, acesso a eletrodomésticos, visitas íntimas fora das regras e até equipamentos sonoros — um cenário que, na prática, compromete qualquer noção de controle estatal sobre o sistema prisional.
Silêncio oficial e pressão por respostas
Diante da gravidade das revelações, cresce a pressão por explicações da Secretaria de Administração Penitenciária da Bahia, que até o momento não se manifestou oficialmente. A pasta é comandada por José Castro, indicado em meio a rearranjos políticos que consolidaram alianças no governo estadual.
Debate nacional e suspeita de cortina de fumaça
O escândalo levanta questionamentos sobre as prioridades do debate público no país. Enquanto o Rio de Janeiro é alvo constante de críticas, episódios como o da Bahia apontam para um problema estrutural mais profundo: a possível infiltração do crime organizado em esferas políticas e administrativas.
Para analistas, a discrepância no discurso político e na atenção dada aos casos pode indicar uma tentativa de desviar o foco — uma cortina de fumaça diante de escândalos que atingem diretamente aliados do poder.



