Nem toda criança que sofre violência pede ajuda com palavras. Muitas vezes, o pedido de socorro aparece no silêncio, nas notas que despencam, nas faltas frequentes ou na mudança repentina de comportamento. Para impedir que esses sinais passem despercebidos, a Prefeitura de São João de Meriti iniciou uma força-tarefa para transformar as escolas em uma barreira contra a violência infantil.
A Secretaria Municipal de Educação, em parceria com a Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro, começou a capacitar orientadores educacionais para reconhecer indícios de agressões físicas, psicológicas e violência doméstica em uma rede que atende mais de 40 mil estudantes distribuídos em 70 escolas. A iniciativa coloca professores e orientadores na linha de frente da proteção às crianças.
A ação é baseada na Lei Municipal nº 2.604/2025, que determina a capacitação dos profissionais da educação para identificar possíveis vítimas e encaminhá-las rapidamente à rede de proteção. O primeiro treinamento foi realizado na Escola Municipal Graça Grijó, em Vilar dos Teles.
“Nosso papel vai muito além de olhar o boletim. Muitas vezes, um silêncio repentino ou uma mudança de comportamento na sala de aula é um pedido de socorro que precisamos saber ler”, afirmou Cris Couto, chefe do Departamento de Orientação Educacional.
A secretária municipal de Educação e Tecnologia, Eleina Lucas, destacou que a escola pode ser decisiva para interromper ciclos de violência. “Com mais de 40 mil alunos sob nossa responsabilidade, a escola precisa ser o lugar mais seguro para essas crianças. Preparar nossas equipes é cuidar do futuro e da integridade de cada uma delas.”
Para a coordenadora da Infância e Juventude da Defensoria Pública, Letícia Ribeiro, quanto mais cedo os sinais forem percebidos, maiores são as chances de proteger a vítima. “O sistema de proteção começa onde a criança passa a maior parte do dia. Capacitar a rede de ensino é garantir que a Defensoria Pública e os órgãos de direito cheguem antes que o pior aconteça.”
A vice-prefeita e secretária municipal da Cidadania e Direitos Humanos, Letícia Rocha, afirmou que a iniciativa vai além do cumprimento da lei. “Essa parceria nos dá a base necessária para agir com rapidez e acolhimento. Não estamos apenas cumprindo um dever legal, estamos salvando vidas dentro do ambiente escolar.”
A orientadora Fabiana Barbosa, da Escola Municipal Barão do Rio Branco, também destacou a importância da capacitação. “Ter esse momento nos ajuda a aprender mais estratégias para acompanhar os alunos. É muito importante.”
Casos de violência contra crianças podem ser denunciados pelo 190, em situações de emergência, ou pelo Disque 100, que funciona 24 horas por dia e permite denúncias anônimas.



