Vacinas após os 60: o que quase ninguém conta sobre envelhecer com mais saúde

A geriatra Dra. Julianne Pessequillo explica por que se vacinar depois dos 60 pode evitar internações, proteger a autonomia e aumentar a segurança na terceira idade Durante muito tempo, a vacinação foi associada quase exclusivamente à infância. Mas a medicina


A geriatra Dra. Julianne Pessequillo explica por que se vacinar depois dos 60 pode evitar internações, proteger a autonomia e aumentar a segurança na terceira idade


Durante muito tempo, a vacinação foi associada quase exclusivamente à infância. Mas a medicina moderna vem reforçando um ponto importante: as vacinas também são fundamentais ao longo do envelhecimento. Com o aumento da expectativa de vida da população brasileira, prevenir doenças infecciosas passou a ser uma das estratégias mais eficazes para preservar qualidade de vida, independência e funcionalidade na terceira idade.

Por que o corpo fica mais vulnerável depois dos 60

À medida que envelhecemos, o organismo sofre diversas transformações naturais. Entre elas está a chamada imunossenescência – processo de envelhecimento do sistema imunológico que reduz a capacidade do corpo de responder adequadamente a vírus, bactérias e outros agentes infecciosos. A partir dos 60 anos, as células de defesa passam a funcionar de forma mais lenta e menos eficiente, tornando os idosos mais vulneráveis a infecções e complicações.

Isso significa que doenças aparentemente simples podem evoluir de maneira mais grave nessa faixa etária. Além da maior dificuldade para combater infecções, os idosos também costumam apresentar recuperação mais lenta e, muitas vezes, sintomas menos típicos, o que pode atrasar diagnósticos e tratamentos.

Vacinas ajudam a evitar perda de autonomia e internações

Muitas pessoas acreditam que, com o envelhecimento da imunidade, as vacinas deixam de funcionar. Na realidade, elas continuam sendo extremamente importantes justamente porque estimulam o sistema imunológico a criar mecanismos de defesa, mesmo que a resposta seja menos intensa do que em pessoas jovens.

Mais do que prevenir infecções, a vacinação ajuda a reduzir formas graves de doenças, internações prolongadas, perda de autonomia funcional e risco de morte. Em idosos, uma pneumonia, por exemplo, pode desencadear uma cascata de complicações capazes de comprometer significativamente a qualidade de vida.

Hoje, existem vacinas fundamentais para essa faixa etária, muitas delas disponibilizadas gratuitamente pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI). Entre as principais estão:

• Influenza (gripe) – recomendada anualmente, especialmente porque reduz o risco de complicações respiratórias, pneumonias e descompensação de doenças crônicas, como diabetes e insuficiência cardíaca.

• Pneumocócicas – ajudam a prevenir pneumonias, meningites e infecções generalizadas causadas pela bactéria pneumococo. Os esquemas vacinais podem variar conforme histórico e condições clínicas.

• dT ou dTpa – protege contra difteria, tétano e coqueluche, com reforço indicado a cada 10 anos.

• COVID-19 – as doses de reforço continuam sendo fundamentais para idosos, principalmente porque reduzem hospitalizações e mortalidade.

• Herpes-zóster – vacina importante para diminuir o risco da neuralgia pós-herpética, uma das complicações mais dolorosas do cobreiro.

• Hepatite B – recomendada para pessoas não vacinadas, independentemente da idade, especialmente porque muitos idosos realizam procedimentos médicos frequentes, aumentando o risco de exposição ao vírus.

Baixa cobertura vacinal ainda preocupa especialistas

Mesmo com vacinas seguras, eficazes e disponíveis gratuitamente no SUS, a cobertura vacinal entre idosos segue abaixo das metas recomendadas pelo Ministério da Saúde. A vacina contra influenza, por exemplo, não atinge a meta de 90% há vários anos.

Entre os motivos estão a disseminação de informações falsas, dúvidas sobre a segurança das vacinas e dificuldades práticas de acesso. Muitos idosos ainda acreditam em mitos como “vacina enfraquece a imunidade”, “não vale mais a pena vacinar depois de velho” ou “a vacina provoca a própria doença” — afirmações sem respaldo científico.

Além disso, fatores como dificuldade de locomoção, ausência de acompanhantes, filas, horários reduzidos nas unidades de saúde e falta de orientação adequada também contribuem para a baixa adesão.

A vacinação deve fazer parte da rotina de cuidado com a saúde do idoso. Mais do que uma medida preventiva, ela representa uma estratégia importante para garantir autonomia, bem-estar e envelhecimento saudável. Atualizar a caderneta vacinal é um cuidado simples, rápido e que salva vidas.

Envelhecer bem também é uma questão de prevenção.

Dra. Julianne Pessequillo
Geriatria e Clínica Médica – Longevidade Saudável





Com informações da fonte
https://jovempan.com.br/saude/vacinas-apos-os-60-o-que-quase-ninguem-conta-sobre-envelhecer-com-mais-saude.html

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