Desde o ano passado eu acompanho essa história de perto. Mesmo acreditando na unidade desses partidos na reta final, muita coisa precisava ser resolvida nos bastidores. E aqui destaco o estilo direto do Canella, que foi decisivo para a coisa andar.
Canella foi o único que disse na cara do Governador Cláudio Castro que ele estava atrasado na articulação e que, daquele jeito, estaria entregando a eleição de bandeja para o Eduardo Paes. Todo mundo pensava a mesma coisa, mas só o Canella teve coragem de falar. E ele estava certo.
A verdade de bastidor é que Castro perdeu o timing da articulação. Mesmo assim, ele precisa agradecer por ainda ser o pré-candidato ao Senado da chapa. Se demorasse mais a fazer esse gesto para Altineu, Luizinho, Canella e companhia, poderia ficar sem Senado, sem nada.
Esse anúncio resolve todos os problemas da chapa? Não. Existem duas coisas que vão impactar muito a política do Estado. A primeira é a decisão de quem será o candidato para o mandato tampão. A segunda é que o Rodrigo Bacellar não está em casa assistindo Sessão da Tarde e vai, em alguns dias, movimentar o jogo político como ninguém ainda viu.
Mas vamos analisar a chapa em si:
O anúncio de Douglas Ruas fez o bolsonarismo raiz reclamar, já que eles achavam que o Felipe Curi seria o grande nome para o Governo. Mas, olhando de forma estratégica, eu afirmo que o bolsonarismo erra nessa análise. O Curi é um cabo eleitoral muito mais forte no lugar em que já está. Se o Douglas assume o mandato tampão e anuncia que o Curi segue no comando da Polícia Civil, a narrativa da segurança está resolvida. Com o Curi entregando grandes operações até a eleição, o retrato eleitoral que a direita quer está cravado.
Outro motor decisivo é o próprio bolsonarismo. Quando Flávio, Eduardo Bolsonaro e companhia começarem a colar no Douglas, ele vai subir nas pesquisas, porque a transferência de voto desse grupo é absurda. Basta lembrar do Ramagem na disputa pela Prefeitura do Rio. Ele era considerado um poste, mas com o apoio de Bolsonaro bateu quase 31% dos votos, segundo os dados oficiais do TSE. Isso não é qualquer coisa.
Também temos a caixa de ferramentas do Governo do Estado. Em 2014, Sérgio Cabral tinha a aprovação baixíssima e elegeu Pezão usando a máquina estadual. Se o PL colocar Douglas na cadeira de Governador desde já, essa máquina é mais uma camada de viabilidade, sobretudo no interior. Tem cidade que recebeu obras do Douglas, usando recursos do leilão da CEDAE, que representam de 5% a 10% do orçamento total do município, conforme os dados de transparência do Estado. Ele está tomando café com todos os prefeitos todo santo dia. Se virar Governador tampão, isso só se consolida.
E precisamos falar novamente do Márcio Canella. Na minha opinião, ele é o favorito disparado para o Senado. Nas eleições de 2024, ele foi uma máquina de organizar composições políticas pelo Estado. A estrutura que o União Brasil montou aqui é gigante. E vou além: Rueda, presidente nacional do União Brasil, mora no Rio. Isso faz do Canella uma prioridade nacional e um cabo eleitoral fundamental para o Douglas.
O nome de Rogério Lisboa na vice me causa uma sensação de “estamos guardando essa vaga caso apareça algo mais estratégico”. Mas, ao mesmo tempo, garante o protagonismo do Dr. Luizinho, que tem uma conexão territorial fortíssima com a nossa Baixada Fluminense.
Luizinho não é tão falado na imprensa, mas basicamente é o grande responsável pelos repasses estaduais de saúde para todo o estado. A rede de influência dele é gigante para além da Baixada.
O elo mais frágil da chapa é o Cláudio Castro. Ele precisa aguardar os desdobramentos das investigações em curso e a posição do TSE em relação aos processos que ameaçam seu mandato, fatos já amplamente cobertos pela imprensa. Se passar por isso intacto, vai ter que andar de joelhos até Aparecida. A maior colaboração dele para essa chapa hoje é ficar quietinho nos bastidores.
Conversando com o meio político, muitos fazem pouco caso e dizem que essa chapa não ganha do Eduardo Paes. Mas eles desprezam a combinação de Bolsonarismo, máquina estadual, máquinas municipais, máquina da ALERJ e o próprio Flávio Bolsonaro, que marcou 34,2% de intenções de voto contra 27,3% do Lula no estado, segundo a recente pesquisa Prefab/Diário do Rio.
A disputa vai ser plebiscitária, com segundo turno apertado, e cada palmo da nossa Região Metropolitana vai importar



