É tempo de festa e, a partir de sexta-feira, o Sambódromo do Rio abre seus portões para as noites de desfile da Série Ouro e do Grupo Especial. Num momento em que os corpos são os protagonistas da folia, eles precisam cruzar a Passarela do Samba sem que o pênis ou a vagina sejam vistos pelo público. Sabia disso? Esse é o tema da estreia da série de matérias “Vale isso?”, que o EXTRA publica por cinco dias, com base no que determinam os regulamentos das ligas das escolas de samba.
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O primeiro nu frontal do carnaval foi protagonizado pela modelo Enoli Lara, pela União da Ilha (que desfilava com o enredo “Festa profana”) em 1989. No ano seguinte, o regulamento passou a proibir a genitália desnuda nos desfiles.
No carnaval de 1990, no entanto, o ator Jorge Lafond — pela Beija-Flor (enredo “Todo mundo nasceu nu”) — usou um pompom laranja para cobrir seus “balangandãs”. A mínima fantasia bastou para uma nova mudança de regra. No desfile seguinte, a proibição passou a valer também para a genitália decorada.
Atualmente, os regulamentos do Grupo Especial e da Série Ouro impedem a apresentação com “genitália à mostra, decorada e/ou pintada”. Descumprir essa regra pode custar a perda de cinco décimos na apuração da elite, ou de um décimo no grupo de acesso.
Em 2022, quando Mayara Lima ainda era princesa de bateria do Paraíso do Tuiuti — escola da qual se tornou rainha no ano seguinte (cargo que ocupa até hoje, com coreografias que extrapolam a bolha carnavalesca, a partir de vídeos na internet) — a parte de baixo de sua fantasia se desprendeu. A moça precisou segurar a peça enquanto sambava. Na ocasião, o assunto gerou polêmica, principalmente porque isso poderia custar o rebaixamento da escola.
O incidente não resultou em punição para a escola. Naquele ano, a principal favorecida poderia ser a São Clemente, que entrou com um recurso administrativo contra a coirmã, do qual desistiu após amargar a última posição (e o rebaixamento para o grupo de acesso) por quase três pontos de distância para o Tuiuti.
Não há proibição ao topless, por outro lado. Mas houve mudança de comportamento ao longo dos anos. Mesmo sem nada estar escrito na regra sobre o assunto, as mulheres atualmente costumam cobrir o mamilo com adesivos quando os seios estão à mostra na fantasia, para não serem objetificadas.
Com informações da fonte
https://extra.globo.com/rio/carnaval/noticia/2026/02/vale-isso-pode-desfilar-pelado-na-sapucai-entenda.ghtml



