Úlcera venosa: tratar a veia doente pode acelerar a cicatrização e evitar recidivas

Feridas crônicas na perna que não cicatrizam têm, na maioria das vezes, uma causa circulatória. Entender e tratar a insuficiência venosa é essencial para fechar a úlcera e reduzir o risco de ela voltar Freepik A úlcera venosa é uma


Feridas crônicas na perna que não cicatrizam têm, na maioria das vezes, uma causa circulatória. Entender e tratar a insuficiência venosa é essencial para fechar a úlcera e reduzir o risco de ela voltar

Freepik

A úlcera venosa é uma das manifestações mais avançadas da insuficiência venosa crônica. Surge geralmente na região da perna, próxima ao tornozelo, e pode persistir por meses ou até anos, causando dor, limitação funcional e impacto importante na qualidade de vida.

O tratamento tradicional sempre focou na ferida: curativos, pomadas e cuidados locais. Essas medidas são importantes, mas muitas vezes não são suficientes quando a causa principal – o mau funcionamento das veias – não é tratada.

Hoje sabemos que, para cicatrizar de forma eficaz e evitar recidivas, é fundamental olhar além da lesão.

A circulação é a chave do problema

Na insuficiência venosa, as válvulas das veias não funcionam adequadamente, dificultando o retorno do sangue ao coração. Isso leva a um acúmulo de sangue nas pernas, aumento da pressão venosa e extravasamento de líquido para os tecidos.

Esse ambiente prejudica a oxigenação da pele, favorece inflamação crônica e dificulta a cicatrização de feridas. É por isso que a úlcera venosa tende a permanecer aberta quando apenas o cuidado local é realizado.

Tratar a ferida sem tratar a veia doente é, muitas vezes, tratar apenas a consequência, e não a causa.

Novas evidências mudaram a forma de tratar

Nos últimos anos, estudos clínicos trouxeram uma mudança importante na abordagem das úlceras venosas. Evidências mostram que a associação entre o tratamento conservador – como curativos adequados e terapia compressiva – e a correção da insuficiência venosa pode acelerar a cicatrização.

Procedimentos de ablação venosa, realizados por técnicas minimamente invasivas como laser ou radiofrequência, têm sido cada vez mais utilizados para tratar as veias insuficientes. Ao corrigir o refluxo venoso, melhora-se o ambiente circulatório, favorecendo o fechamento da ferida.

Além disso, tratar a causa reduz significativamente o risco de recorrência, que é um dos grandes desafios nesse tipo de lesão.

Qualidade de vida também está em jogo

A úlcera venosa não é apenas uma ferida. Ela interfere na rotina, limita a mobilidade, provoca dor crônica e pode gerar isolamento social. O risco de infecção também é uma preocupação constante.

Muitos pacientes convivem por anos com curativos frequentes e resultados insatisfatórios, sem que a causa seja abordada de forma adequada.

Uma abordagem mais completa – que inclui avaliação vascular, tratamento da insuficiência venosa e cuidados locais – pode transformar o prognóstico. Reduz o tempo de cicatrização, melhora a funcionalidade e devolve qualidade de vida.

A úlcera venosa não deve ser tratada apenas como um problema de pele. É, antes de tudo, uma doença da circulação. E tratar a veia doente pode ser o passo decisivo para fechar a ferida e evitar que ela volte.

Dra. Andrea Klepacz – CRM/SP 128.575 | RQE 51419
Cirurgia vascular
Membro da Brazil Health





Com informações da fonte
https://jovempan.com.br/saude/ulcera-venosa-tratar-a-veia-doente-pode-acelerar-a-cicatrizacao-e-evitar-recidivas.html

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