Quem já tratou a doença tem risco maior de novas manchas e deve reforçar a proteção diária e as consultas ao dermatologista.
O câncer de pele é o tipo de tumor mais comum no Brasil e, embora tenha altas taxas de cura quando diagnosticado precocemente, não deve ser visto como um episódio isolado. Quem já teve câncer de pele pertence a um grupo de risco permanente e precisa redobrar os cuidados, especialmente no verão, quando a exposição ao sol é mais intensa e frequente.
Por que quem já teve câncer de pele precisa de atenção contínua
Ter histórico de câncer de pele indica que a pele já sofreu danos importantes ao longo da vida, principalmente causados pela radiação ultravioleta. Isso eleva a chance de surgirem novas lesões, inclusive em áreas diferentes das inicialmente afetadas.
Mesmo após um tratamento bem-sucedido, o risco permanece elevado por anos. Tumores como o carcinoma basocelular, o carcinoma espinocelular e o melanoma exigem acompanhamento regular, pois novas alterações podem surgir de forma silenciosa. Muitas vezes, a lesão inicial é pequena, sem dor ou coceira, o que reforça a importância da vigilância contínua.
Proteção solar vai além do protetor
Usar protetor solar todos os dias é indispensável, mas não deve ser a única medida de proteção. Pessoas com histórico de câncer de pele precisam aplicar um produto com fator de proteção alto e reaplicá-lo ao longo do dia, especialmente após suar ou entrar em contato com a água.
Além disso, roupas com proteção UV, chapéus de aba larga, óculos escuros e a busca por sombra são estratégias fundamentais. Evitar a exposição direta ao sol nos horários de maior radiação, do fim da manhã ao meio da tarde, é uma das medidas mais eficazes para reduzir o risco de novas lesões.
Outro ponto importante é não subestimar exposições que parecem rápidas, como caminhadas, atividades ao ar livre ou deslocamentos do dia a dia. A radiação acumulada ao longo do tempo também contribui para o dano na pele.
Sinais de alerta e acompanhamento dermatológico
Quem já teve câncer de pele deve observar atentamente qualquer alteração. Manchas que mudam de cor ou tamanho, feridas que não cicatrizam, lesões que sangram espontaneamente ou pintas com bordas irregulares são sinais que precisam ser avaliados rapidamente por um dermatologista.
O autoexame mensal da pele é uma ferramenta simples e eficaz para identificar mudanças precoces. Além disso, o acompanhamento médico periódico permite detectar novas lesões ainda em fases iniciais, aumentando as chances de um tratamento menos invasivo e com melhores resultados.
Durante as consultas, o dermatologista também orienta sobre cuidados individualizados, considerando o tipo de tumor já tratado, o fototipo da pele e o estilo de vida do paciente.
O verão não precisa ser um período de medo para quem já teve câncer de pele, mas exige responsabilidade. Adotar uma rotina consistente de proteção solar e manter o acompanhamento dermatológico regular são atitudes essenciais para preservar a saúde da pele. Depois de um diagnóstico de câncer, o cuidado não termina com o tratamento: torna-se um compromisso permanente com a prevenção e a qualidade de vida.
Profa. Dra. Flávia Alvim Sant Anna Addor – CRM/SP 66.293 RQE 42.404
Dermatologista
Membro da Academia Americana de Dermatologia
Sócia titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia
Membro da Brazil Health



