Terapia com luz: como ela ajuda a aliviar dores e inflamações

Tratamento não invasivo usa luz vermelha e infravermelha para estimular as células, acelerar a recuperação e complementar outras terapias com segurança. O principal alvo da fotobiomodulação está nas mitocôndrias, estruturas responsáveis pela produção de energia celular A fotobiomodulação (PBM) vem


Tratamento não invasivo usa luz vermelha e infravermelha para estimular as células, acelerar a recuperação e complementar outras terapias com segurança.


O principal alvo da fotobiomodulação está nas mitocôndrias, estruturas responsáveis pela produção de energia celular

A fotobiomodulação (PBM) vem se consolidando como uma abordagem terapêutica baseada em evidências para o controle da dor e da inflamação. Diferentemente de métodos invasivos ou farmacológicos, a PBM utiliza comprimentos de onda específicos da luz para modular processos biológicos em nível celular, promovendo alívio dos sintomas e favorecendo a recuperação dos tecidos. O avanço das pesquisas nas últimas décadas ajudou a esclarecer mecanismos antes pouco compreendidos, abrindo espaço para aplicações clínicas mais precisas e seguras.

O que acontece dentro da célula quando a luz é aplicada

O principal alvo da fotobiomodulação está nas mitocôndrias, estruturas responsáveis pela produção de energia celular. Comprimentos de onda nas faixas do vermelho e do infravermelho próximo são absorvidos por cromóforos nas mitocôndrias, especialmente a citocromo c oxidase. Essa interação aumenta a eficiência da cadeia respiratória, elevando a produção de ATP – a principal moeda energética da célula.

Com mais energia disponível, a célula aprimora sua capacidade de reparo, síntese proteica e manutenção da homeostase. Além disso, a PBM modula espécies reativas de oxigênio em níveis fisiológicos, que atuam como sinais celulares importantes, ativando vias de transcrição relacionadas à regeneração e ao controle inflamatório. Esse conjunto de respostas explica por que a luz pode acelerar processos de recuperação sem causar dano térmico aos tecidos.

Efeito anti-inflamatório e analgésico: o que a ciência mostra

A inflamação é um mecanismo essencial de defesa, mas, quando se torna persistente, contribui para a dor crônica e a degeneração tecidual. Estudos mostram que a fotobiomodulação pode reduzir a expressão de citocinas pró-inflamatórias, como o TNF-alfa e interleucinas específicas, ao mesmo tempo em que estimula mediadores anti-inflamatórios. Esse equilíbrio favorece a resolução do processo inflamatório sem suprimir completamente a resposta imune.

No controle da dor, a PBM atua por múltiplos caminhos. Além de reduzir a inflamação local, ela influencia a condução nervosa periférica, diminui a sensibilização dos nociceptores e melhora a oxigenação dos tecidos. Esses efeitos ajudam a explicar os resultados positivos observados em condições musculoesqueléticas, dor articular, lesões esportivas e quadros de dor crônica, quando a terapia é aplicada com parâmetros adequados.

Por que protocolo, dose e indicação fazem diferença

Embora os mecanismos celulares estejam bem descritos, os resultados clínicos da fotobiomodulação dependem diretamente da forma como ela é aplicada. Comprimento de onda, potência, densidade de energia, tempo de exposição e frequência das sessões são variáveis críticas. Doses inadequadas podem não produzir efeito terapêutico ou, em alguns casos, gerar respostas aquém do esperado.

Outro ponto fundamental é a indicação correta. A PBM não substitui tratamentos convencionais quando eles são necessários, mas pode atuar de forma complementar, potencializando resultados e reduzindo a necessidade de intervenções mais agressivas. O uso indiscriminado, sem critério científico, é um dos principais fatores que geram resultados inconsistentes e alimentam dúvidas sobre a eficácia da técnica.

A fotobiomodulação é um exemplo claro de como a tecnologia, quando bem compreendida e aplicada, pode atuar diretamente nos mecanismos biológicos da doença. A luz, ao modular processos celulares essenciais, deixa de ser apenas uma ferramenta auxiliar e passa a ocupar um espaço relevante na medicina moderna, especialmente no manejo da dor e da inflamação.

Profa. Dra. Lara Motta CRBM: 631.77 | CRO: 74.516

PhD em Ciências da Saúde – UNIFESP

Professora e Pesquisadora em Medicina Biofotônica da Universidade Nove de Julho

Biomédica

Habilitação em Laser e Biofotônica

Membro da Brazil Health





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