— A gente estava buscando solução pacífica, mas houve disparos de dentro da residência, e o senhor Leandro levou o primeiro PAF (perfuração de arma de fogo) na região da cabeça. Nossa tropa respondeu com fogo, onde houve a ação de neutralização dos criminosos. Conseguimos tirar a dona Roberta em segurança, em estado de choque — disse.
Segundo a Polícia Militar, seis criminosos invadiram a quitinete na parte baixa da Rua Barão de Petrópolis e fizeram um casal refém. Houve uma tentativa de negociação com os bandidos durante cerca de 15 minutos. O grupo manteve a família sob ameaça e, em um único cômodo da residência, efetuou disparos. Os criminosos atiraram no morador, identificado como Leandro Silva Souza. Dentro da casa onde morador foi atingido, a PM apreendeu com os bandidos dois fuzis, duas pistolas e 2 revólveres calibre 38.
Na operação, também foi morto Claudio Augusto dos Santos, o Jiló, apontado como chefe do tráfico no Morro dos Prazeres. Outras duas pessoas ficaram feridas. No final da manhã, uma série de ações criminosas tomou vias próximas às comunidades — Prazeres, Fallet, Fogueteiro, Coroa, Escondidinho e Paula Ramos — onde os policiais atuam. Na Avenida Paulo de Frontin, no Rio Comprido, um ônibus foi incendiado. Outros foram sequestrados e usados como bloqueios.
Quatro pessoas foram detidas por provocar arruaça nas ruas. O secretário da Polícia Militar, coronel Marcelo de Menezes, Jiló exercia papel relevante no Comando Vermelho. Nesta quarta-feira, a PM localizou o esconderijo dele e a operação foi planejada.
— Era um traficante sanguinário — afirmou Menezes.
Claudio Augusto dos Santos, o Jiló, começou a colecionar anotações criminais na década de 1990. Entre os crimes estão tráfico de drogas, homicídio, sequestro, cárcere privado e roubo. Contra ele, havia 10 mandados de prisão em aberto.
Jiló é apontado como envolvido na morte do turista italiano Roberto Bardella, de 52 anos, em dezembro de 2016. Na ocasião, o estrangeiro e um primo, cada um numa moto, e entraram no Morro dos Prazeres por engano. Bardella morreu na hora. O corpo dele foi colocado na mala de um carro, onde o primo foi obrigado a entrar. O veículo circulou por cerca de duas horas pela comunidade, até o tráfico mandar que ele fosse liberado.
De acordo com a polícia, Jiló havia saído da cadeia 30 dias antes de se envolver na morte de Bardella. Ele havia sido preso em 1990 e recebeu uma progressão de pena.



