A Polícia Civil do Rio considera foragida Márcia Gama, esposa do traficante Márcio dos Santos Nepomuceno, Marcinho VP, e mãe do rapper Oruam, após ela não ser localizada durante a Operação Contenção Red Legacy, deflagrada nesta quarta-feira. A ação, conduzida por agentes da Delegacia de Combate ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro (Dcoc-LD), tem como objetivo desarticular a estrutura nacional do Comando Vermelho (CV). Segundo a polícia, Márcia é apontada como uma das pessoas responsáveis por intermediar interesses do grupo fora do sistema prisional. Além dela, outros parentes de Marcinho estariam envolvidos.
Participação de familiares de Marcinho VP
De acordo com os investigadores, familiares de Marcinho VP teriam participação direta no funcionamento da engrenagem da facção. O traficante, que está preso há quase três décadas, é apontado pela Polícia Civil como um dos chefes do CV e integrante do chamado “conselho federal permanente” da organização.
Nesse contexto, Márcia Gama teria atuado como uma espécie de ponte de comunicação fora das prisões. A polícia afirma que ela ajudaria a transmitir recados e a facilitar contatos entre integrantes da facção e pessoas envolvidas em atividades econômicas exploradas pelo grupo.
Outro investigado citado no inquérito é Landerson Nepomuceno, sobrinho de Marcinho VP. Segundo a investigação, ele faria a ligação entre chefes da facção, integrantes que atuam em comunidades dominadas pelo grupo e pessoas relacionadas a negócios usados para geração de recursos, como serviços e imóveis. Ele também é considerado foragido.
O que foi encontrado em endereço ligado à família
Durante o cumprimento de mandados relacionados à operação, agentes também realizaram buscas em endereços associados à família. Em imagens divulgadas pela Polícia Civil é possível ver, entre os itens encontrados, uma camiseta com o rosto de Marcinho VP estampado e a palavra “liberdade”.
A peça chama atenção porque é semelhante à utilizada pelo rapper Oruam no festival Lollapalooza, em São Paulo, em 2024, quando se apresentou. na época” ele foi as redes sociais dizer que a manifestação era “apenas um grito de um filho com saudades do pai”.
Nascido na comunidade de Vigário Geral e criado na Baixada Fluminense, Marcinho VP se tornou uma das figuras mais conhecidas do tráfico no Rio de Janeiro. Ele ganhou notoriedade ao assumir o controle do Complexo do Alemão, considerado um dos principais centros de distribuição de drogas da cidade.
Preso desde 1996, o traficante cumpre pena por crimes como tráfico de drogas e homicídios. Atualmente ele está em uma penitenciária federal, após passar por diferentes unidades do sistema prisional ao longo dos anos.
Mesmo encarcerado, as investigações da Polícia Civil apontam que ele ainda exerce influência na estrutura do Comando Vermelho, sendo citado como um dos integrantes do conselho que orientaria decisões estratégicas da organização criminosa.
A Operação Contenção Red Legacy também levou à prisão de seis suspeitos, entre eles o vereador Salvino Oliveira, do Partido Social Democrático (PSD). Segundo a polícia, ele é investigado por supostamente ter negociado com o traficante Edgar Alves de Andrade autorização para realizar campanha eleitoral em área dominada pela facção na Gardênia Azul, na Zona Oeste do Rio.
As investigações também apontam para uma estrutura considerada complexa da organização criminosa, com conselhos regionais e nacionais, além de indícios de articulação entre o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC).
Segundo a Polícia Civil, as apurações continuam para aprofundar a responsabilização de todos os envolvidos e atingir também as estruturas financeiras e operacionais utilizadas pela organização criminosa.



