“Ontem (segunda-feira), a Força Aérea israelense, com base em informações (militares), localizou e eliminou Gholamreza Soleimani”, afirma um comunicado militar israelense.
A nota acrescenta que ele morreu em “um ataque seletivo em Teerã”.
Criado logo após a Revolução Islâmica de 1979, o Basij — termo que significa “mobilização”, em farsi (ou persa) — foi idealizado pelo aiatolá Ruhollah Khomeini como uma força popular capaz de defender o regime que se iniciava. À época, o líder religioso chegou a afirmar que o Irã jamais poderia ser derrotado se contasse com uma milícia de 20 milhões de homens.
O Basij, formalmente, é um grupo paramilitar voluntário subordinado à Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC, na sigla em inglês), a força de elite das tropas iranianas, que responde diretamente ao líder supremo do país. Ao longo dos anos, a milícia consolidou-se como um instrumento central da segurança interna e da imposição da ideologia do Estado.
A organização recruta membros tanto em áreas rurais quanto urbanas e se estrutura principalmente a partir de mesquitas em Teerã e em outras grandes cidades. Seus integrantes, em geral, vêm de camadas mais pobres e conservadoras da população, segundo especialistas ouvidos pela CNN.
A missão do Basij vai além do policiamento convencional. A força atua para sustentar a teocracia iraniana, fazer cumprir códigos de moral islâmica e conter manifestações consideradas ameaças ao regime. Há décadas, o grupo é apontado como protagonista na repressão violenta a protestos e movimentos de contestação.
O papel da milícia ganhou notoriedade internacional durante a guerra Irã-Iraque, entre 1980 e 1988, quando seus integrantes participaram de ataques em “ondas humanas”, usados, segundo relatos, para limpar campos minados antes do avanço das tropas regulares. A partir de 2003, o Basij passou por um reforço significativo, ao ser concebido como primeira linha de defesa interna diante do temor de uma possível invasão liderada pelos Estados Unidos. Desde então, tornou-se presença recorrente nos estágios iniciais de revoltas e distúrbios.
Os Estados Unidos impuseram sanções ao Basij e a comandantes da força em diversas ocasiões, citando violações de direitos humanos, repressão a protestos estudantis e denúncias de uso de crianças-soldados.
O Exército israelense tentou eliminar o atual chefe do Conselho Supremo de Segurança, Ali Larijani, em um bombardeio realizado na madrugada desta terça-feira, segundo a mídia israelense. Os resultados de um suposto ataque contra a figura-chave do poder iraniano, “ainda estão sendo avaliados”, segundo o canal N12.
“Ali Larijani foi alvo de uma tentativa de eliminação”, afirmou a emissora pública israelense Kan.


