A Memória da Eletricidade lançou a exposição “A energia que iluminou o cotidiano: imagens e memórias do Rio de Janeiro” na plataforma Google Arts & Culture, um extenso museu virtual. Por meio de fotografias raras de Augusto Malta, presentes no acervo da Light, o visitante relembra o processo histórico de urbanização e eletrificação da cidade, conduzido ao longo do Séc. XX.
Dividida em sete blocos, com 33 imagens ao todo, a mostra, organizada em parceria com a concessionária de energia, traça uma linha do tempo de 1880 a 1980, destacando como a reestruturação e, consequentemente, a chegada da luz elétrica contribuiu para a transformação do espaço urbano, da mobilidade, da iluminação pública e doméstica e dos hábitos culturais dos cariocas.
Uma das intervenções mais marcantes foi a Reforma Pereira Passos (1903-1906), realizada no Centro da cidade, que, com objetivo de tornar o Rio uma “Paris Tropical”, abriu a Avenida Central (atual Rio Branco), alargou ruas, demoliu os antigos cortiços e construiu edifícios, expulsando os moradores da região.
A partir desse momento, conforme mostram as imagens, postes, cabos, bondes elétricos e transformadores passaram a compor a paisagem urbana, sob administração da Light.
Nos anos seguintes, as reformas começaram a avançar para alguns bairros da Zona Sul – como Flamengo, Botafogo e Urca – e da Zona Norte – como Tijuca, São Cristóvão e Madureira -, integrados, justamente, pelos bondes elétricos, que se tornaram os principais meios de transporte do período.
Para o historiador Marcus Dezemone, professor de História do Brasil República na UFF e na UERJ, um dos fatores que mais aceleraram a urbanização foi o movimento de procurar acabar com os traços do período colonial que o Rio ainda conservava, o que contribuía para uma percepção negativa da cidade quando comparada a outras capitais.
“No fim do séc. XIX, a eletricidade é vista como símbolo de progresso, das mudanças materiais que esse mundo industrializado é capaz de trazer. Por isso, eletrificar a capital federal, que era a principal cidade do país, foi uma forma de dizer que as promessas de ‘ordem e progresso’ estavam sendo cumpridas. A chegada dos bondes, por exemplo, com a retirada a tração animal, transformou o dia a dia dos cariocas”, explicou o pesquisador, em entrevista concedida à Memória da Eletricidade.
No entanto, apesar do aspecto de progresso, as reformas geraram alguns problemas estruturais na cidade, que se estendem até a atualidade, conforme afirma o historiador:
“O processo de industrialização, não só do Rio, mas do Brasil como um todo, foi muito veloz. A Inglaterra, por exemplo, o primeiro país a se industrializar no mundo, levou 100 anos para ter mais da metade da população vivendo em cidades, enquanto o Brasil já atingiu esse marco nos anos 1950. Isso acarretou um processo de periferização, de favelização, de inchaço urbano e de imobilidade urbana, que hoje nos afetam diretamente”.
Gratuita, a exposição pode ser acessada neste link. Esta é a terceira da Memória na Eletricidade na plataforma. As outras contam a história da Usina Hidrelétrica Alberto Torres (Piabanha), localizada na cidade de Areal, no Centro-Sul Fluminense, fundamental para a eletrificação do Estado do Rio, e da Exposição Nacional de 1908, grande solenidade realizada na Urca.

Sobre a Memória da Eletricidade
A Memória da Eletricidade é uma instituição sem fins lucrativos dedicada à preservação e difusão da história do setor elétrico brasileiro.
Desde 1986, realiza projetos de pesquisa histórica, conservação de acervos, produção de publicações e coleta de relatos de história oral, promovendo o conhecimento sobre a trajetória e os desafios da energia no Brasil. Seu acervo reúne milhares de documentos, fotografias, vídeos e registros sonoros que contam a evolução do setor elétrico e podem ser acessados gratuitamente pelo site.
Serviço:
Exposição: A energia que iluminou o cotidiano: imagens e memórias do Rio de Janeiro
Lançamento: 26 de fevereiro
Plataforma: Google Arts & Culture | Memória da Eletricidade
Acesso: Gratuito
Realização: Memória da Eletricidade, em parceria com a Light


