Escola de ensino integral em Araruama desenvolve projeto que valoriza raízes quilombolas e indígenas
Divulgação
Em Araruama, na Região dos Lagos do Rio, a Escola Municipalizada Prodígio, localizada em Tapinoã-Prodígio, território quilombola do município, tem se destacado com um projeto de educação integral que valoriza a história, cultura e ancestralidade de seus alunos.
O projeto “Conhecendo Minhas Raízes e Valorizando Nossas Identidades Educação Integral” implementado desde 2024, atende 29 crianças do 1º ao 3º ano do ensino fundamental.
A iniciativa propõe atividades que estimulam a autoestima dos estudantes e fortalecem os vínculos intergeracionais, promovendo uma abordagem pedagógica antirracista e afrocentrada. Entre as ações, destacam-se:
Rodas de conversa sobre ancestralidade;
Oficinas sobre saberes tradicionais da comunidade;
Imersão na literatura negra e indígena, com produção de textos, desenhos e diários de leitura;
Criação de um alfabeto visual com palavras de origem africana e indígena.
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Além disso, a equipe pedagógica participa de formações continuadas, e há encontros com famílias, lideranças quilombolas, parteiras, rezadeiras e mestres de saberes, criando uma rede colaborativa entre escola e território.
Segundo Aline Pereira Botelho dos Santos, doutoranda e mestre em Educação e atualmente coordenadora do Departamento de Igualdade Racial da Secretaria de Educação de Araruama, o projeto é um gesto de reparação e de futuro.
“Ele nasce da necessidade de aproximar a escola da vida real dos estudantes, reconhecendo que o currículo só floresce quando dialoga com o território, com a memória e com a ancestralidade.” afirma a idealizadora do projeto.
Os resultados já são perceptíveis: aumento do interesse dos alunos pelas atividades escolares, desenvolvimento da leitura e produção textual, formação de uma consciência racial positiva e fortalecimento da relação entre escola e comunidade.
A experiência também inspirou ações estruturais na rede municipal, como a criação do Protocolo de Educação para Promoção da Igualdade Racial e a construção coletiva do currículo complementar quilombola.
“É uma proposta que afirma: nossas crianças têm história, cultura, raízes profundas, e a educação precisa honrá-las. Essa experiência devolve às crianças quilombolas o direito de se verem, se nomearem e se celebrarem dentro da escola”, conclui a idealizadora do projeto.



