Poucos músicos têm a capacidade de fazer com que pessoas de diferentes gerações se apaixonem por suas canções. Djavan é um desses.
Basta o alagoano subir ao palco para que crianças, adultos e idosos cantem em uníssono sucessos atemporais como Lilás, Oceano e Samurai.
“Ele é o temporão de uma turma genial que surgiu a partir de 1965. É um fenômeno que não se explica, mas se sente”, pontua Mauro Ferreira, crítico musical e autor do texto de Djavanear – Um Tanto Flor, Um Tanto Mar, musical focado na poética do compositor que esteve em cartaz entre 2023 e 2024.
No Rio, a força do cantor e compositor – que a partir de maio rodará o mundo com a turnê em que comemora meio século de estrada – se reflete em homenagens em festas, peças, rodas de samba e até blocos de Carnaval.
“Interpretá-lo me comove. Ele perseguiu um sonho acreditando na potência de uma obra com uma poesia absurda e uma riqueza harmônica especial”, analisa Raphael Elias, protagonista do musical Djavan – Vidas Pra Contar, que estreou no Rio em 2025 e foi visto por 60 000 espectadores em cinco capitais brasileiras.
Em 28 de janeiro, um dia após o cantor completar 77 anos, músicos cariocas promoveram a primeira edição da Roda de Samba dos Djafãs, que sacudiu a Praça da Cruz Vermelha e pegou o Bar do Bigode de surpresa: “Fizemos sem pretensão e foi uma loucura, acabou a cerveja da casa e nossa caixa de mensagens está lotada de pedidos para fazermos de novo. E queremos repeteco”, promete o percussionista Rômulo Mariano.
No Carnaval, dois blocos celebraram o alagoano: no sábado, o Flor de Lis reuniu 10 000 foliões no Largo de São Francisco e, na quarta-feira de cinzas, o Me Enterra Na Quarta fez um desfile temático com fantasias de cor lilás e referências aos hits do homenageado.
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Outra iniciativa é a festa Djavaneando, comandada pelo DJ Nyack. Em evento-teste na Loja Patuá, em Santa Teresa, em fevereiro, o baile lotou casa e calçada. Tanto que ganhará um novo local: a próxima edição, marcada para 12 de abril, vai acontecer no Parque Glória Maria.
“Vou tocar as faixas mais queridas, as obscuras e até interpretações de outros artistas, tudo em vinil”, adianta Nyack.
Nascido em Maceió, Djavan Caetano Viana chegou a jogar como meio-campo no time juvenil do CSA, mas a paixão pelo violão falou mais alto.
Em 1972, aos 23 anos, veio para o Rio tentar a sorte na carreira musical. Três anos depois, garantiu o segundo lugar no Festival Abertura com Fato Consumado, e enfim conseguiu gravar seu primeiro disco, A Voz, O Violão, A Música de Djavan, que completa cinquenta anos em 2026.
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“Ele se destaca por uma musicalidade muito refinada e, ao mesmo tempo, consegue ter apelo popular como poucos de seus contemporâneos”, avalia Mauro Ferreira, espantando a pecha de que as letras do compositor são incompreensíveis.
A moda também se estende aos guarda-roupas: uma camiseta verde e amarela com a foto do LP Deslumbramento (1980) estampada é campeã de vendas nas plataformas digitais e tem tudo para bombar na Copa do Mundo.
“Essa camisa me fez voltar a ter vontade de botar o Brasil no peito, o Djavan é um símbolo da nossa soberania”, comenta a produtora artística Iasmin Brahim, que aderiu à tendência.
“Saber que as minhas músicas são trilha sonora da vida de muita gente é uma grande motivação”, orgulhou-se o cantor e compositor em entrevista a VEJA RIO. É tempo de djavanear o que há de bom.

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Máquina de hits
Ele está no topo das paradas há cinco décadas
331 obras musicais
1144 gravações cadastradas
31 discos lançados
4 prêmios Grammy
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120 versões de Oceano, a música mais regravada
As dez canções mais tocadas nos últimos cinco anos:
1 Sina
2 Eu Te Devoro
3 Flor de Lis
4 Se
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5 Oceano
6 Lilás
7 Fato Consumado
8 Samurai
9 Nem Um Dia
10 Azul
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