Anemia não é só falta de ferro: investigar a causa pode salvar vidas

A condição costuma ser associada à falta de ferro na alimentação, mas suplementar sem diagnóstico pode atrasar a identificação de problemas de saúde importantes A anemia não é uma doença em si, mas um sinal de que algo no organismo


A condição costuma ser associada à falta de ferro na alimentação, mas suplementar sem diagnóstico pode atrasar a identificação de problemas de saúde importantes


A anemia não é uma doença em si, mas um sinal de que algo no organismo não está funcionando adequadamente

A anemia é um achado frequente em exames de rotina e, muitas vezes, é vista como algo simples de resolver. Diante de níveis baixos de hemoglobina, não é raro que pacientes comecem, por conta própria, a tomar ferro ou recebam prescrição sem uma investigação mais aprofundada. Embora a falta de ferro seja uma causa comum, tratar a anemia sem entender sua origem pode mascarar doenças graves e atrasar diagnósticos que exigem atenção imediata.

Anemia não é diagnóstico, é sinal de alerta

A anemia não é uma doença em si, mas um sinal de que algo no organismo não está funcionando adequadamente. Do ponto de vista médico, há três grandes mecanismos que levam à anemia, e identificar qual deles está presente é fundamental para o tratamento correto.

O primeiro é a perda de sangue. Ela pode ser aguda e evidente, como em casos de ferimentos, cirurgias ou hemorragias importantes. Mas também pode ser crônica e silenciosa, quando a pessoa perde pequenas quantidades de sangue ao longo do tempo sem perceber. É o que ocorre, por exemplo, em sangramentos do aparelho digestivo, associados a pólipos, úlceras ou tumores, ou em perdas ginecológicas persistentes. Nesses casos, a anemia costuma se instalar de forma lenta e progressiva.

O segundo mecanismo é a diminuição da produção das células do sangue. Para que o organismo produza glóbulos vermelhos adequadamente, ele depende de elementos essenciais, como ferro, vitamina B12 e ácido fólico. A deficiência de qualquer um desses nutrientes pode comprometer a produção sanguínea e levar à anemia. Doenças crônicas, inflamatórias, infecções, alterações da medula óssea e problemas renais também podem interferir nesse processo.

O terceiro grupo envolve os distúrbios da hemoglobina e a destruição precoce dos glóbulos vermelhos, fenômeno conhecido como hemólise. Nesses casos, as hemácias são produzidas, mas se rompem antes do tempo de vida esperado. Isso pode acontecer por condições genéticas ou congênitas, como a talassemia menor e outras doenças da hemoglobina, nas quais o paciente já nasce com a alteração. Também existem formas adquiridas de hemólise, que surgem ao longo da vida por diferentes fatores.

O risco da suplementação sem critério

O uso indiscriminado de ferro não é isento de riscos. Além de efeitos colaterais como constipação, dor abdominal e náuseas, o excesso de ferro pode se acumular no organismo e causar sobrecarga em órgãos como fígado e coração. Em algumas situações, a anemia não está ligada à falta de ferro, e a suplementação não trará benefício algum.

Há ainda casos em que a anemia está relacionada a doenças crônicas ou inflamatórias, nas quais o organismo até possui ferro disponível, mas não consegue utilizá-lo adequadamente. Nesses cenários, repor ferro não corrige o quadro e pode criar uma falsa sensação de melhora, atrasando a investigação da causa real.

Investigar é o caminho mais seguro

A avaliação correta da anemia começa com uma boa história clínica e exames laboratoriais completos, que vão além da hemoglobina. Dosagens de ferritina, ferro sérico, vitamina B12, ácido fólico, marcadores inflamatórios e função renal ajudam a identificar o mecanismo envolvido. Dependendo do perfil do paciente, podem ser necessários exames de imagem, endoscopia ou testes genéticos para esclarecer a causa da anemia.

O tratamento eficaz depende diretamente do diagnóstico correto. Em alguns casos, a suplementação é essencial e salva vidas; em outros, o foco deve ser tratar a doença de base ou apenas acompanhar, quando se trata de condições genéticas leves. Individualizar o cuidado é o que garante segurança e evita atrasos diagnósticos potencialmente graves.

A anemia não deve ser normalizada nem tratada de forma automática. Ela é um aviso do corpo de que algo precisa ser investigado. Ouvir esse sinal, com orientação médica e exames adequados, pode fazer toda a diferença entre um problema simples e uma doença descoberta tarde demais.

Prof. Dr. Alfredo Salim – CRM/SP 43163 | RQE 132808

Clínico geral

Head nacional da Brazil Health





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