O ex-membro do comitê de investimentos do Rioprevidência, Robson Luiz Barbosa, trouxe novos detalhes sobre como o fundo, responsável pelo pagamento de aposentadorias e pensões de 235 mil servidores, realizou aportes no Banco Master sem a aprovação formal do comitê.
Segundo o depoimento, o total aplicado no ano seguinte ao investimento inicial saltou para quase sete vezes o valor original, em uma sequência de aplicações automáticas que não passou pelo crivo do grupo.
Diretoria entendeu que outros aportes poderiam ser feitos automaticamente após aprovação de um investimento inicial
O investimento inicial, de cerca de R$ 120 milhões no final de 2023, foi aprovado pelo comitê, mas, segundo Barbosa, o aval “deixou subentendido” que novos aportes poderiam ser feitos sem nova aprovação. A informação é do “RJ2”.
Nos meses seguintes, a diretoria de investimentos do Rioprevidência, na figura de Eucherio Lerner Rodrigues, então diretor, e Pedro Pinheiro Guerra Leal, gerente, continuou aplicando dinheiro. No total, os recursos aplicados em 2024 chegaram a quase R$ 1 bilhão, sem nova análise técnica formal.
O ex-integrante do comitê destacou que, em todas as reuniões, as propostas da diretoria eram discutidas apenas de forma argumentativa, sem apresentação de estudos técnicos, laudos ou planilhas, e que ele nunca teve acesso integral aos processos que embasaram as decisões.
Em meio à crise, Eucherio Lerner Rodrigues e Pedro Pinheiro Guerra Leal foram exonerados de seus cargos, enquanto o diretor-presidente Davis Marco Mantunes continua à frente do fundo.
Aplicações automáticas foram feitas em letras financeiras, modalidade de investimento sem garantia de reembolso
Os aportes do Rioprevidência foram feitos em letras financeiras, uma modalidade de renda fixa que funciona como um empréstimo ao banco com promessa de retorno maior que o capital investido.
Diferente de outros investimentos, essas aplicações não têm cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), o que significa que, em caso de problemas, o dinheiro do fundo pode ser perdido.
O Rioprevidência afirmou que os investimentos foram realizados de acordo com as regras vigentes, com legalidade atestada pelo Ministério da Previdência e em conformidade com o Plano Anual de Investimentos aprovado pelo Conselho de Administração. A instituição reforçou ainda que o comitê de investimentos não define valores de alocação nem delibera sobre o montante de cada operação.
Além disso, o fundo conseguiu uma decisão judicial que bloqueou parcialmente os valores aplicados no Banco Master, R$ 970 milhões acrescidos de juros e correção monetária, protegendo o dinheiro destinado a aposentados e pensionistas.
A defesa de Eucherio Lerner Rodrigues afirma que ele está colaborando com as investigações, mas, por sigilo legal, não pode se manifestar publicamente.



