O início do ano trouxe ao governo Lula uma dupla crise financeira envolvendo duas das maiores instituições estatais do país: os Correios e o Banco do Brasil. De um lado, a estatal de logística não honrou as dívidas bilionárias acumuladas com fornecedores, empregados e tributos.
De outro, o Banco do Brasil foi abalado por um calote de R$ 3,6 bilhões de uma única empresa, que rumores apontam ser a Braskem — informação não confirmada oficialmente, mas suficiente para derrubar as ações da petroquímica em mais de 11%. A Braskem foi criada em 2002 pela Odebrecht.
O cenário para 2026 é de um “balanço apertado”, com analistas alertando para o risco de um colapso fiscal caso o controle de gastos nas estatais não seja rigoroso. Os dois episódios expõem fragilidades nas estatais e levantam preocupações sobre quem arcará com os prejuízos.
O deputado Tião Medeiros (PP-PR) já protocolou na última sexta-feira, 13, um requerimento na Câmara pedindo que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, esclareça detalhes sobre o calote de R$ 3,6 bilhões registrado no balanço do Banco do Brasil. O parlamentar quer saber se o Tesouro Nacional poderá ser impactado pelo prejuízo e cobra explicações sobre a natureza da operação, os valores envolvidos e a eventual regularização da dívida em janeiro.
Medeiros justificou o pedido afirmando que o episódio expõe falhas de governança em estatais e pode gerar impactos fiscais significativos, lembrando ainda que os Correios também acumulam dívidas bilionárias e prejuízos recorrentes.
Correios: dívida bilionária e política de atrasos
Um relatório interno revelou que os Correios deixaram de pagar R$ 3,7 bilhões em obrigações, incluindo:
– INSS Patronal: R$ 1,44 bilhão
– Fornecedores: R$ 732 milhões
– Postal Saúde: R$ 545 milhões
– Tributos PIS/COFINS: R$ 457 milhões
– Postalis (fundo de pensão): R$ 135 milhões
A estatal admitiu que adotou uma política de “postergação” — atrasos propositais nos pagamentos — para preservar liquidez diante de um fluxo de caixa negativo. Em apenas três meses, o montante devido cresceu R$ 1 bilhão, agravando o desequilíbrio financeiro .
Banco do Brasil: calote bilionário e inadimplência em alta
O Banco do Brasil informou que uma única empresa do setor atacadista deixou de honrar R$ 3,6 bilhões em compromissos no quarto trimestre de 2025. O impacto elevou a taxa de inadimplência acima de 90 dias para 5,17%, contra 4,51% no trimestre anterior. Sem esse episódio, o índice ficaria em 4,88% .
Rumores de que a empresa inadimplente seria a Braskem derrubaram as ações da petroquímica em 11% em um único pregão. A companhia, no entanto, negou oficialmente qualquer dívida em aberto com o banco .
Apesar do baque, o BB encerrou 2025 com lucro líquido de R$ 20,7 bilhões, mas houver queda de 45% em relação ao ano anterior. O resultado foi impulsionado por ajustes contábeis e provisões para perdas.
O contribuinte na linha de frente
No caso dos Correios, a postergação de dívidas afeta não só empregados e fornecedores, mas também os tributos. Já no Banco do Brasil, mesmo com provisões, o risco recai sobre o Tesouro Nacional, já que o banco é controlado pelo governo.
O início de 2026, portanto, coloca o governo Lula diante de um cenário de credibilidade abalada e pressões fiscais adicionais em meio ao rombo fiscal. A conta, como sempre, tende a sobrar para o contribuinte.



