Pediu para sair: Lewandowski pula fora do barco e deixa Lula sozinho na tempestade

Ricardo Lewandowski, ex-ministro do STF e até há pouco titular da Justiça e Segurança Pública, resolveu que já deu: entregou sua carta de demissão a Lula e abandonou o ministério nesta quinta-feira (8). A exoneração será oficializada no Diário Oficial


Ricardo Lewandowski, ex-ministro do STF e até há pouco titular da Justiça e Segurança Pública, resolveu que já deu: entregou sua carta de demissão a Lula e abandonou o ministério nesta quinta-feira (8). A exoneração será oficializada no Diário Oficial da União nesta sexta (9), encerrando um mandato que não durou sequer um ano.

O timing não poderia ser mais cruel. Em meio ao colapso da segurança pública, avanço das facções e pressão eleitoral, Lewandowski preferiu sair de cena antes que o desgaste o engolisse. Desde o início da semana, já recolhia seus pertences do gabinete — como quem sabe que a festa acabou e não quer esperar o último chamado.

Segurança em frangalhos

O ministério que deveria ser o coração da estratégia contra o crime organizado virou alvo de críticas por sua política considerada “branda” e pelo discurso de desencarceramento. Resultado: em pleno ano eleitoral, quando o brasileiro aponta a violência como maior problema do país, o governo aparece como espectador impotente.

Para piorar, o Rio de Janeiro roubou a cena. A Operação Contenção, comandada por Cláudio Castro, neutralizou mais de 100 criminosos e expôs a fragilidade da União. Enquanto Castro surfava na onda de popularidade, Lula era acusado de virar as costas para o estado.

Política em chamas

No Congresso, a oposição aproveitou o vácuo e avançou com projetos mais duros, como o PL Antifacção e a PEC da Segurança Pública. Em outras palavras: o governo perdeu a narrativa e viu sua bandeira ser reescrita por adversários.

Lewandowski, que deveria segurar a crise até 2026, antecipou a saída. Lula insistia em mantê-lo, como se segurar o ministro fosse suficiente para segurar o caos. Não foi.

Efeito dominó

A debandada não para por aí. Auxiliares próximos também devem deixar o ministério, incluindo o secretário-executivo Manoel Carlos de Almeida e o Secretário Nacional de Segurança Pública, Mario Sarrubbo. Almeida, no entanto, deve assumir interinamente — porque alguém precisa segurar a cadeira enquanto o governo decide quem será o próximo a enfrentar a tempestade.

Resumo da ópera: Lewandowski pediu para sair, Lula ficou com a crise, e a segurança pública virou palco da oposição. O governo, que já patinava, agora tropeça em sua própria fragilidade.



Conteúdo Original

2026-01-08 16:11:00

Posts Recentes

PUBLICIDADE

PUBLICIDADE