O Planalto está em alerta máximo. Em ano eleitoral, o governo Lula teme deixar o protagonismo no combate às facções criminosas com a oposição, que conseguiu mudar e endurecer o texto do PL Antifacção enviado pelo Executivo no Senado. Agora, com a proposta prestes a voltar à Câmara, o Executivo já articula uma contraofensiva para tirar das mãos do deputado Guilherme Derrite (PP-SP) a relatoria do projeto.
O medo por trás da ‘força-tarefa’
Nos bastidores, integrantes do Ministério da Justiça admitem que o governo montou uma força-tarefa para vigiar cada passo da tramitação. A ordem é clara: impedir que Derrite, aliado de Tarcísio de Freitas, dê ainda mais peso às mudanças que já deixaram o texto mais duro contra o crime organizado.
A avaliação interna é de que a Câmara será um campo de batalha ainda mais hostil que o Senado. E, para o Planalto, deixar a relatoria nas mãos da oposição seria como entregar a narrativa de “quem combate de verdade o crime” a seus adversários.
Derrite incomoda
O relator não esconde sua insatisfação com a versão aprovada pelos senadores e já sinalizou que pretende mexer novamente no texto. Para o governo, isso é um pesadelo: qualquer alteração que aumente a repressão pode ser vendida pela oposição como “mérito próprio”, deixando Lula e seus aliados com a pecha de lenientes.
Operação ‘Tira Derrite’
A solução encontrada pelo Planalto? Trabalhar para redistribuir a relatoria. A articulação envolve pressão sobre a presidência da Câmara e líderes partidários. O objetivo é simples: neutralizar Derrite e evitar que o governo seja atropelado pela narrativa de que só a oposição tem coragem de enfrentar as facções.
O palco de 2026
Com o retorno das atividades legislativas, o PL Antifacção promete virar mais um ponto explosivo da agenda do Congresso. Segurança pública, disputa política e estratégias de comunicação se misturam num jogo em que o governo Lula parece menos preocupado com o crime em si e mais com quem vai faturar politicamente o título de “verdadeiro inimigo das facções”.
Em resumo: o Planalto não quer perder o protagonismo. Derrite virou pedra no sapato. E o combate ao crime, mais uma vez, virou arma eleitoral.
2026-01-08 22:47:00



