O MST anunciou nesta semana que “avalia enviar militantes para a Venezuela” após a operação militar dos Estados Unidos em Caracas. A frase, aparentemente burocrática, virou combustível para a internet: em poucas horas, já estava transformada em piada, remixada em vídeos e estampada em memes que ironizam a ideia de um movimento progressista brasileiro atravessando fronteiras para enfrentar o Tio Sam.
MST tenta se explicar
O movimento insiste que sua solidariedade com a Venezuela é histórica, marcada por projetos de agroecologia e produção de alimentos. Ceres Hadich, da coordenação nacional, no entanto, afirmou que o envio de militantes “ainda é um processo em construção” e que a prioridade é denunciar o “sequestro, invasão e mortes causadas pelo governo dos Estados Unidos”, mas já era tarde.
Esquerda em modo reunião
A mobilização não se resume ao MST. Mais de 50 entidades de esquerda se reuniram virtualmente para discutir a crise. Decidiram organizar protestos em capitais brasileiras, especialmente em frente a representações diplomáticas dos EUA. Entre os participantes estavam José Dirceu (PT), Juliano Medeiros (PSOL) e Ana Prestes (PCdoB).
Entre a seriedade e a sátira
O anúncio do MST, feito em tom grave, acabou soterrado pela avalanche de memes. A internet transformou a frase “avaliar enviar militantes” em piada pronta, comparando o movimento a um exército improvisado rumo ao império norte-americano. No fim, a política virou espetáculo digital: a crise venezuelana segue dramática, mas o MST já entrou para o rol das piadas virais.
A operação que acendeu o rastilho
No dia 3 de janeiro, tropas norte-americanas bombardearam Caracas e capturaram Nicolás Maduro, levado a julgamento em Nova York sob acusação de narcoterrorismo. O presidente venezuelano se declarou “sequestrado”, enquanto a vice Delcy Rodríguez assumiu o comando do país com anuência de Washington.
Leia a íntegra da nota da coordenação do MST:
“Ainda não está muito claro o desdobramento dessas ações, mas a gente não descarta o envio de um reforço de militância, de atuação in loco na própria Venezuela, desde que seja necessário. As nossas relações de solidariedade concretas na Venezuela são muito claras, definidas, são públicas, inclusive, a gente tem contribuído no processo de avanço da produção de alimentos, desenvolvimento da agroecologia, de tecnologias em agroecologia, para fomentar a produção massiva de alimentos para o povo venezuelano, isso já faz algum tempo, e sendo necessário outras frentes de contribuição em algum momento, a gente certamente estará se preparando para poder dar conta dessas demandas que possam vir a surgir. Nesse primeiro momento, a gente está muito focado ainda em fazer essa denúncia imediata, que é a denúncia do sequestro, da invasão e das mortes que foram causadas pelo governo dos Estados Unidos.”
2026-01-10 15:00:00



