O tapume azul que por anos escondeu a obra do Museu da Imagem e do Som (MIS), na Avenida Atlântica, em Copacabana, começa a ser desmontado. A retirada das chapas metálicas devolve parte da calçada aos pedestres e muda a paisagem do bairro, que convive com o “esqueleto” do museu desde 2010.
Apesar do alívio visual e da melhora na circulação, o cenário atrás do que antes era isolado pelos tapumes ainda não indica que a conclusão do equipamento cultural esteja próxima. Entulho acumulado, frentes de obra abertas e trabalhadores atuando em diferentes pontos do terreno mostram que o canteiro permanece em plena atividade.
O gesto simbólico contrasta com o histórico de atrasos, paralisações e tentativas frustradas de retomada do projeto.

Uma auditoria do Tribunal de Contas do Estado (TCE), divulgada no ano passado, apontou falhas graves no planejamento da retomada das obras em 2021, no início da atual gestão estadual. Segundo o relatório, intervenções foram reiniciadas sem avaliação adequada das condições do canteiro após seis anos de abandono, o que provocou infiltrações, ferrugem e perda de materiais.
Desde o início das intervenções, em 2010, a previsão original era de que o MIS fosse entregue em 2012. De lá para cá, foram pelo menos três tentativas de retomada.
No fim de 2023, o governo estadual firmou dois novos contratos: R$ 68,8 milhões para finalização da parte interna e R$ 12,1 milhões para a fachada. Mesmo assim, seis meses após o reinício, as construtoras solicitaram aditivo de 5% no valor, alegando serviços não previstos, como retirada de entulho.
Além desses valores, dados do programa Pacto-RJ já indicavam investimento de quase R$ 90 milhões apenas para a conclusão do “esqueleto” da estrutura. Somados aos contratos mais recentes — R$ 68,8 milhões (parte interna), R$ 12,1 milhões (fachada) e R$ 13,3 milhões de novo edital para refazer elementos que se deterioraram ao longo dos anos — a conta chega a R$ 184,2 milhões, sem considerar aditivos ainda não assinados e contratos anteriores rompidos.
O histórico recente mostra que o percentual de execução da obra seguia baixo, apesar dos novos aportes financeiros e das sucessivas tentativas de correção dos danos causados pelo abandono.
Em nota anterior à imprensa, a Secretaria estadual de Infraestrutura informou ter aberto sindicância para apurar falhas e reafirmou a promessa de entrega do MIS até dezembro de 2025. O valor total investido no projeto já ultrapassa R$ 180 milhões.
Enquanto isso, na prática, o que Copacabana vê é a retirada do tapume — mas não, ainda, o fim da obra.



