Meteorologista explica por que janeiro está tão chuvoso no Rio; entenda

Fevereiro começou com cara de verão no Rio — e isso, na meteorologia, não significa só temperaturas altas, mas também chuva frequente, volumes elevados e dias seguidos de céu encoberto. Em menos de dez dias, a cidade já superou a


Fevereiro começou com cara de verão no Rio — e isso, na meteorologia, não significa só temperaturas altas, mas também chuva frequente, volumes elevados e dias seguidos de céu encoberto. Em menos de dez dias, a cidade já superou a média histórica de chuva prevista para tdo o mês, enquanto diferentes regiões do estado entraram em alerta para risco hidrológico e de deslizamentos.
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Em meio à sequência de chuvas, em Angra dos Reis, na Costa Verde, três pessoas morreram após uma árvore cair sobre um carro na Rodovia Rio-Santos (BR-101), na noite de domingo. Uma quarta vítima ficou gravemente ferida. O acidente levou à interdição da pista no trecho. Na capital, um prédio desabou no Engenho Novo, na Zona Norte do Rio, mobilizando equipes do Corpo de Bombeiros. Quatro pessoas foram resgatadas com vida, e as buscas seguem por dois cães sob os escombros.
Mas vamos por partes. Segundo o meteorologista Guilherme Borges, da FieldPRO, o principal responsável por esse cenário é a Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), um sistema típico do verão que favorece a formação de nuvens carregadas por vários dias consecutivos. É como uma faixa gigante de nuvens carregadas, que vem da Amazônia e passa pelo Sudeste.
— A ZCAS é uma banda de nebulosidade que se estende da região Norte até o Sudeste. Quando ela se organiza dessa forma, cria uma condição de chuva persistente, com acumulados elevados em curto espaço de tempo — explica.
Dados do Sistema Alerta Rio mostram que, entre os dias 1º e 6 de fevereiro, a cidade já havia registrado 103,2 milímetros de chuva, o equivalente a 87% da média histórica do mês, que é de 118,3 mm. Em menos de dez dias, esse volume foi ultrapassado: o acumulado já chega a 158,5 mm. Em pelo menos sete estações meteorológicas, os volumes já superaram a média mensal.
O cenário atual contrasta diretamente com fevereiro de 2025, que entrou para a série histórica como o mais seco desde 1997. De acordo com o meteorologista, a diferença entre um ano e outro está na configuração climática.
— No ano passado, tivemos um verão marcado por massas de ar muito quentes e ondas de calor, que inibiram a formação desses canais de umidade. Neste ano, a configuração atmosférica está mais favorável, com mais umidade disponível. O que estamos vendo agora é, na verdade, o comportamento típico do verão — explica o meterologista.
Mas se é o padrão, por que o volume de chuva já ultrapassou o esperado para o mês?
Para Guilherme Borges, isso aconteceu porque a Zona de Convergência do Atlântico Sul ficou praticamente estacionada sobre o Sudeste, mantendo o Rio sob influência contínua de um corredor de umidade. Esse sistema favorece a formação constante de nuvens de chuva, que se renovam ao longo dos dias, impedindo que a instabilidade se dissipe. Com a atmosfera muito quente e úmida, típica do verão, essas nuvens crescem mais e descarregam grandes volumes de água em pouco tempo, fazendo com que a chuva se acumule rapidamente e ultrapasse, em poucos dias, a média esperada para todo o mês.
— Esse sistema faz com que as instabilidades fiquem praticamente estacionadas. As nuvens de chuva se alimentam continuamente, o que faz com que os acumulados médios sejam superados com muita facilidade — afirma.
Ou seja, 2025 foi a exceção. Fevereiro de 2026, apesar dos transtornos, está dentro do padrão esperado para a estação.
Solo encharcado e risco de deslizamentos
Mesmo com a previsão de redução gradual da instabilidade nos próximos dias, a principal preocupação das autoridades segue sendo o solo encharcado, após semanas de chuva frequente.
— A partir dos próximos dias, esse sistema começa a se desconfigurar, mas ainda teremos bastante umidade até pelo menos quinta-feira. A condição muda para pancadas mais isoladas — diz Borges.
O prefeito do Rio, Eduardo Paes, reforçou o alerta nas redes sociais, especialmente para quem mora em áreas de encosta.
“Com essa chuva permanente, a maior preocupação é o solo encharcado. Mesmo sem chuva muito forte, podem ocorrer deslizamentos. Quem mora em área de encosta precisa ficar muito atento, principalmente ao acionamento das sirenes”, afirmou em um vídeo publicado no Instagram.
O Boletim da Defesa Civil Estadual, com base no monitoramento do Cemaden-RJ, mantém risco hidrológico alto para municípios como Duque de Caxias, Niterói, Cachoeiras de Macacu e Silva Jardim, além de risco alto de deslizamento em diversas regiões do estado.
Quando a chuva dá trégua?
A previsão da Climatempo indica que as pancadas de chuva seguem até quarta-feira (11), com trovoadas e altos índices de umidade. A partir de quinta (12), a chuva perde força e o sol começa a aparecer com mais frequência. Segundo Guilherme Borges, a sexta-feira de carnaval (13) deve marcar uma virada no tempo.
— A sexta já deve ter um cenário sem previsão de chuva, com características mais típicas do verão carioca. O carnaval tende a ter tempo firme, apesar da possibilidade de pancadas isoladas, que são naturais nesta época do ano — explica Borges.
Entre os dias 13 e 18, a tendência é de sol, algumas nuvens e temperaturas próximas ou acima dos 30°C, para alívio dos foliões.
Apesar da melhora prevista para o carnaval, o meteorologista alerta que o Rio continua na rota das instabilidades.
— Fevereiro é um mês naturalmente instável e boa parte de março também. Esse tipo de sistema ainda deve aparecer outras vezes ao longo do verão — conclui Borges.

Com informações da fonte
https://extra.globo.com/rio/noticia/2026/02/meteorologista-explica-por-que-janeiro-esta-tao-chuvoso-no-rio-entenda.ghtml



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https://boletimrj.com.br/meteorologista-explica-por-que-janeiro-esta-tao-chuvoso-no-rio-entenda/

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