A número dois de Maduro baixa o tom
Delcy Rodríguez, a vice que sempre foi a sombra fiel de Nicolás Maduro, agora aparece em cena como a “presidente interina” que fala manso diante de Donald Trump. A chavista, que até ontem bradava contra o “imperialismo ianque”, resolveu adotar a máxima popular: manda quem pode, obedece quem tem juízo.
Pragmatismo made in Trump
O presidente dos EUA não perdeu tempo em mostrar que coerência não é exatamente seu forte. Aliás, é estratégia pata confundir seus inimigos. Depois da intervenção militar que depôs Maduro e o levou preso para Nova York, Trump decidiu que a interlocutora da transição seria justamente Delcy, a mesma que ele chamava de cúmplice de um presidente ilegítimo. Pragmatismo puro: melhor negociar com quem sobrou do chavismo do que apostar em opositores sem musculatura política.
Delcy tenta posar de estadista
Em carta pública, Rodríguez pediu “cooperação equilibrada e respeitosa” com os EUA, jurando que quer paz e desenvolvimento. Mas a retórica de conciliação não convenceu ninguém. Trump já deixou claro, em entrevista à The Atlantic, que se ela não seguir suas ordens, “vai pagar um preço muito alto, provavelmente maior do que Maduro”. Ou seja, o discurso de soberania dura pouco quando o risco é virar alvo da Casa Branca.
Oposição descartada sem cerimônia
Enquanto Delcy ganha espaço, María Corina Machado — Nobel da Paz e líder opositora — foi simplesmente chutada para fora do tabuleiro. Trump alegou que ela não tem apoio popular suficiente. Edmundo González Urrutia, até então reconhecido como presidente eleito em 2024, também foi ignorado. O recado é claro: Washington prefere lidar com chavistas domesticados do que com opositores barulhentos, mas sem cacife.
O negócio por trás da transição
A primeira fase da transição traçada por Washington inclui reconstruir a indústria petrolífera venezuelana. Para isso, Trump precisa de alguém que não atrapalhe os planos — e Delcy, com seu pragmatismo repentino, parece disposta a ser a gerente do novo arranjo.
Moral da história
Delcy Rodríguez, antes a voz estridente do chavismo, agora fala baixo e segue o script de Trump. O presidente americano, pragmático e oportunista, prefere negociar com quem sobrou do regime deposto para garantir petróleo e estabilidade. A oposição? Descartada sem dó. No jogo da transição venezuelana, quem manda é Washington — e quem tem juízo, obedece.
2026-01-05 10:16:00



