Com 350 mil beneficiários, a Unimed Ferj mergulha em uma crise sem precedentes. Funcionários denunciam demissões em massa sem garantia de direitos trabalhistas, enquanto pacientes relatam recusa de atendimentos, falta de medicamentos e fechamento de unidades.
Alerj na cola
A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) acompanha o caso por meio da Comissão de Saúde e da CPI dos Planos de Saúde. Nas inspeções e audiências, foram constatadas falhas graves: atrasos no fornecimento de medicamentos, dificuldades na marcação de exames e cirurgias e problemas de comunicação com os usuários.
Demissões em massa
Um ex-colaborador, desligado há dez dias, afirma que mais de 60% do quadro de funcionários foi demitido, incluindo administrativos, enfermeiros e seguranças.
“Mandaram embora sem explicação, cada um correndo atrás da própria rescisão. A lei está sendo rasgada”, desabafou.
Hospitais fechados e pacientes desassistidos
– O pronto atendimento do Méier foi encerrado.
– O Hospital Marcos Moraes, referência em oncologia, deixou de receber pacientes com câncer.
– O centro oncológico de Botafogo foi desativado.
– Um dos maiores hospitais da rede, na Barra da Tijuca, está sem nenhum paciente internado.
Beneficiários relatam que unidades próprias e conveniadas também suspenderam serviços. Uma paciente denuncia cobrança indevida:
“Pago R$ 5 mil por mês e agora querem que eu pague consulta particular para ser atendida?”
Dívida bilionária
A Associação de Hospitais do Rio de Janeiro (Aherj) afirma que a operadora acumula R$ 2 bilhões em dívidas, motivo da suspensão de atendimentos por redes como Hospital Casa e Oncoclínica. A Unimed Ferj nega o valor e admite débito de R$ 1,4 bilhão.
Intervenção da ANS e disputa judicial
Em novembro, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) determinou que a Unimed Brasil assumisse a assistência médica dos clientes da Ferj.
Em dezembro, a Justiça proibiu a redução da cobertura ou a limitação de serviços essenciais.
O que dizem as envolvidas
– Unimed Brasil: afirma que assumiu apenas os atendimentos, não as dívidas, e mantém diálogo com prestadores e reguladores.
– Unimed Ferj: reconhece dívida de R$ 1,4 bilhão e diz estar renegociando com credores. Sobre as demissões, alega que foram “readequações operacionais” validadas pelo sindicato.
2026-01-10 12:00:00



