A opacidade da gestão municipal é hoje o maior símbolo da crise política no Rio de Janeiro. Segundo pesquisa inédita do Instituto Cidades Sustentáveis em parceria com a Ipsos-Ipec, 36% dos moradores afirmam que a Prefeitura não é nada transparente, enquanto apenas 10% enxergam clareza nas ações do governo. O resultado expõe um abismo de confiança entre a população e suas instituições, em um momento decisivo para o futuro da cidade.
Gestão sob desgaste
A avaliação da administração do prefeito Eduardo Paes (PSD) reflete esse cenário: apenas 27% consideram sua gestão ótima ou boa, contra 28% que a classificam como ruim ou péssima. A Câmara Municipal, dominada pela base governista, sofre ainda mais: só 7% aprovam sua atuação, enquanto 53% a rejeitam.
Igreja supera Prefeitura
O descrédito é tão profundo que a Igreja (22%) aparece à frente da própria Prefeitura (21%) como instituição capaz de melhorar a qualidade de vida dos cariocas. O dado revela a busca por alternativas fora da esfera governamental e a perda de protagonismo da gestão pública.
Segurança: o maior temor
A violência domina as preocupações: 75% dos moradores apontam a segurança pública como o principal problema da cidade. A tentativa de criar uma força municipal armada para combater pequenos crimes não saiu do papel, gerando custos sem resultados concretos.
Enchentes e infraestrutura frágil
No campo ambiental, 40% dos entrevistados destacam enchentes e alagamentos como desafio central, evidenciando a vulnerabilidade da infraestrutura urbana diante de problemas recorrentes.
Descrença política
A crise de credibilidade também se traduz em desinteresse pela política: 59% dos cariocas não têm vontade de participar das decisões da cidade. Além disso, 40% não lembram em quem votaram para deputado federal e 41% não recordam o senador escolhido — um retrato da desconexão entre eleitor e representantes.
A pesquisa
Realizada em dezembro de 2025 com 400 moradores, a pesquisa integra o Programa Cidades Sustentáveis com apoio da União Europeia. O diagnóstico é claro: a Prefeitura do Rio enfrenta uma crise de credibilidade marcada por rejeição, falta de transparência e descrença política — um alerta contundente para o impacto que essa percepção pode ter nas eleições de 2026.



