Até quando? Mulher detida com 10 kg de drogas ganha prisão domiciliar mesmo dizendo ‘não lembrar’ onde mora

No último sábado (17), Yasmin Bastos Fonseca, de 18 anos, foi flagrada na Rodoviária Novo Rio com 10 quilos de maconha escondidos em uma mala. O destino era Linhares, no Espírito Santo. A prisão foi feita pela 5ª DP (Mem


No último sábado (17), Yasmin Bastos Fonseca, de 18 anos, foi flagrada na Rodoviária Novo Rio com 10 quilos de maconha escondidos em uma mala. O destino era Linhares, no Espírito Santo. A prisão foi feita pela 5ª DP (Mem de Sá), que cumpriu também dois mandados de busca e apreensão já existentes contra a jovem.

No domingo (18), após audiência de custódia, Yasmin deixou a cadeia beneficiada com prisão domiciliar garantida por uma legislação branda e ultrapassada. O detalhe? Ela não soube informar nem o próprio endereço nem o número de telefone. Mas, como tem dois filhos pequenos, de 4 e 2 anos, merecia voltar para casa — seja lá onde essa “casa” esteja.

A Justiça reconheceu que a quantidade de drogas era “muito expressiva” e acima do padrão das apreensões. Mesmo assim, cumprindo a legislação decidiu que a prisão domiciliar seria “necessária” para garantir o cuidado com os filhos. A defesa agora tem cinco dias para apresentar o endereço da acusada, sob pena de revogação da medida.

Passado nada inocente

Apesar da pouca idade, Yasmin já era conhecida da polícia. Ela foi identificada em investigações sobre o golpe “Boa Noite, Cinderela”, usado para dopar e roubar turistas. Em março de 2024, uma estrangeira foi dopada na Pedra do Sal e levada para Niterói, onde foi roubada. Em julho, outro turista foi atacado em uma boate na Lapa. Há pelo menos dois casos semelhantes ainda em investigação.

Polícia enxugando gelo

A Polícia Civil afirma que Yasmin receberia R$ 1,5 mil pelo transporte da droga, dividida em 11 tabletes. O entorpecente teria sido entregue na comunidade Nova Holanda, no Complexo da Maré, e seria levado para fora do estado.

Enquanto os agentes arriscam a vida para interceptar carregamentos e cumprir mandados, a legislação solta os acusados. Resultado: o trabalho policial vira enxugar gelo, e a sensação de impunidade cresce.

Legislação que premia o crime

O caso expõe a contradição de uma legislação que se mostra branda e ultrapassada, capaz de transformar uma apreensão de 10 quilos de maconha em um episódio de “prisão domiciliar sem endereço”. Para os policiais, a mensagem é clara: o esforço de investigação e captura não resiste a uma audiência de custódia.
Para a sociedade, fica a pergunta: quem está realmente protegido — os cidadãos ou os criminosos?



Conteúdo Original

2026-01-19 15:25:00

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