Até quando a população vai ter que conviver com a impunidade que ceifa vidas como se fossem meros números em estatísticas? O caso de Oldenir de Almeida Filho parece a prova viva — ou melhor, sangrenta — de que a legislação ultrapassada e branda brasileira funciona como uma roleta russa: ora prende, ora solta, e o resultado é sempre o mesmo, mais uma vítima.
O padrasto morto, a irmã baleada
De acordo com a polícia, na manhã de segunda-feira (19), em Camboinhas, Niterói, Oldenir matou o padrasto, Rudson Fernando da Silva Barreto, e ainda atirou contra a própria irmã. O motivo? Uma briga familiar, porque a mãe não aprovava o relacionamento dele. O corpo foi parar no IML de Tribobó, e o caso agora está nas mãos da Delegacia de Homicídios. Mais um capítulo previsível de uma novela criminal que já deveria ter sido cancelada há muito tempo.
A ficha criminal que não cabe em uma gaveta
Homicídio, tentativa de homicídio, tentativa de feminicídio, corrupção de menores, aliciamento de criança para ato libidinoso. A lista é tão extensa que parece currículo de carreira consolidada — só que no crime. Mais de dez passagens pela polícia e, ainda assim, o sujeito circulava livremente.
Atropelamento de policiais: o show da audácia
Ainda segundo a polícia, em 2024, em Brasília, Oldenir atropelou PMs ao tentar fugir de uma abordagem. Estava com uma menor de idade no carro, embriagado e portando drogas. Foi autuado por tentativa de homicídio, corrupção de menores e resistência. Ficou preso, mas a defesa conseguiu um “milagre jurídico”: prisão domiciliar. Resultado? Liberdade para continuar sua saga criminosa.
A morte do carteiro: trabalhador contra a parede
Dois anos antes, em Mendes, interior do Rio, Oldenir bateu na moto do carteiro Laércio da Silva Ribas, de 56 anos, que morreu na hora. Fugiu, foi preso, mas logo voltou às ruas. O entregador, que só cumpria sua rotina, virou estatística.
Facadas na namorada e no cunhado
Também segundo a polícia, em 2021, o acusado atacou a então namorada com facadas na cabeça. O cunhado, ao tentar defendê-la, também foi esfaqueado. Ambos foram hospitalizados. O caso foi parar no Ministério Público, mas até hoje não teve solução.
O retrato da impunidade
Oldenir é reincidente, com acusações de porte de drogas, dirigir sem habilitação e até em aliciar crianças. Um verdadeiro manual de crimes em série. E, apesar de tudo, continuava solto, até que mais uma vida foi perdida.
Conclusão amarga
Enquanto a sociedade se pergunta até quando vai assistir a esse espetáculo grotesco, a resposta parece sempre a mesma: até o próximo crime. Porque, no Brasil, a reincidência não é exceção, é regra. E a legislação ultrapassada e branda, infelizmente, continua sendo a protagonista.
2026-01-20 10:31:00



