A cidade do Rio de Janeiro inicia 2026 com um cenário preocupante: os abrigos municipais estão lotados, com cerca de 1.600 animais — um aumento de quase 35% em relação ao início de 2025. Os dados da Secretaria Municipal de Proteção e Defesa dos Animais (SMPDA) revelam que, ao longo de 2025, foram registradas 2.203 denúncias de abandono de animais domésticos, contra 1.365 em 2024, o que representa uma alta superior a 60%.
Os bairros de Campo Grande, Santa Cruz, Bangu e Jacarepaguá concentram o maior número de ocorrências. Além disso, o serviço 1746 recebeu 15.830 chamados relacionados a resgates de animais em 2025, frente a 12.093 no ano anterior, um crescimento de 31%.
Férias e festas: os piores meses
Dezembro, janeiro e fevereiro são considerados os meses mais críticos para os abrigos. É nesse período que muitas famílias, em meio a viagens e festas, acabam deixando seus animais para trás, alegando não ter com quem deixá-los ou não querer arcar com custos de hospedagem.
O problema se intensifica com os fogos de artifício, que provocam crises de estresse em cães e gatos. No réveillon de 2026, por exemplo, um cão morreu em Vargem Grande após entrar em pânico com os fogos, evidenciando os riscos adicionais dessa época do ano.
Legislação em debate
Embora o abandono seja considerado crime de maus-tratos, com pena prevista de dois a cinco anos de prisão, na prática, decisões judiciais recentes têm substituído a reclusão por doações de cestas básicas ou trabalhos comunitários, fruto da política de desencarceramento do governo federal.
A medida tem sido alvo de críticas de especialistas e protetores, que afirmam que ela banaliza a gravidade do crime e não contribui para reduzir os índices de abandono. Para a SMPDA, a falta de punição efetiva favorece a reincidência e aumenta a pressão sobre os abrigos públicos, que já operam no limite.
Abrigos no limite
Ao longo de 2025, os abrigos municipais enfrentaram superlotação e precisaram recorrer a lares temporários. Foram resgatados 1.056 animais, mas apenas 761 conseguiram adoção, o que explica o acúmulo de cães e gatos nas unidades. O desafio é ainda maior no caso de cães de grande porte, como pitbulls, que muitas vezes não podem dividir espaço com outros animais. A diferença entre resgates e adoções mantém os abrigos em situação crítica, sem perspectiva de alívio imediato.
Reclamação da população
A população também critica duramente a omissão da Prefeitura em relação às políticas de controle populacional de animais de rua. Moradores e protetores afirmam que os programas de castração são insuficientes, com poucas vagas e longas filas de espera, o que contribui para a multiplicação descontrolada de cães e gatos abandonados.
Sem uma política pública consistente, os abrigos ficam sobrecarregados e a cidade assiste ao aumento contínuo da população de animais em situação de vulnerabilidade, reforçando a percepção de que o poder público não enfrenta o problema com a seriedade necessária.
Casos de maus-tratos e abandono podem ser denunciados pela Central 1746 ou pelo Portal 1746.rio.
2026-01-08 06:32:00



