Veterinário e cachorro são encontrados mortos em van nos EUA; polícia investiga intoxicação por monóxido de carbono

Um homem de 57 anos e um cachorro de pequeno porte foram encontrados mortos no domingo dentro de uma van veterinária móvel no bairro do Queens, em Nova York. A polícia investiga se ambos foram vencidos pela fumaça de monóxido


Um homem de 57 anos e um cachorro de pequeno porte foram encontrados mortos no domingo dentro de uma van veterinária móvel no bairro do Queens, em Nova York. A polícia investiga se ambos foram vencidos pela fumaça de monóxido de carbono liberada por um gerador acoplado ao veículo.

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Agentes que atenderam a uma chamada para a emergência por volta das 9h25 foram acionados para uma antiga van Ford estacionada em uma avenida no bairro de Flushing, informou a polícia. O homem e o animal foram declarados mortos no local.

Do lado de fora da van, um homem de 73 anos foi encontrado inconsciente, com um ferimento na cabeça causado por uma aparente queda no gelo, segundo as autoridades. Ele foi levado ao NewYork-Presbyterian Queens e estava em condição estável.

A família identificou a vítima fatal como Ashraf Hussein, veterinário que trabalhava na van oferecendo atendimento a animais de estimação de famílias de baixa renda. Segundo os parentes, ele saiu para trabalhar no sábado e não voltou para casa.

Investigadores relataram à família que a neve acumulada ao redor da van pode ter bloqueado as saídas de ventilação do gerador, fazendo com que o monóxido de carbono se espalhasse pelo interior do veículo e deixasse inconscientes os dois homens e o cachorro, de acordo com Mahmoud Hussein, filho mais velho do veterinário.

Cachorro estava sobre mesa cirúrgica

Ainda segundo a polícia, o homem de 73 anos acordou, conseguiu rastejar para fora da van, mas escorregou na neve e desmaiou após a queda. O nome dele não foi divulgado oficialmente, mas um relatório interno o identificou como Garo Alexanian, morador da rua onde o veículo estava estacionado.

Moradora do quarteirão, Shari Jenkins, de 54 anos, contou que o filho aquecia o carro na manhã de domingo quando viu Alexanian cambalear para fora da van. Em seguida, ao se virar e caminhar de volta em direção ao veículo, ele caiu no chão.

O filho chamou a mãe, que correu até o vizinho e tentou falar com ele. Alexanian ainda conseguiu acenar com a mão, mas começou a perder a consciência. Jenkins disse que o amparou enquanto pedia ajuda. “Ele disse: ‘Você pode me levar para casa?’”, recordou. “Eu disse: ‘Você não vai para casa, você vai para uma ambulância.’”

Antes de desmaiar, Alexanian disse a ela que “o cirurgião” estava morto dentro da van. Quando os socorristas chegaram, cerca de 15 minutos depois, Jenkins viu um homem imóvel no interior do veículo e o cachorro, também sem sinais de vida, sobre uma mesa cirúrgica.

Hussein imigrou do Egito ainda jovem e trabalhou como taxista por anos enquanto buscava a licença para atuar como veterinário em Nova York, contou o filho. A viúva, Marwa Mansour, afirmou que ele atendia na van às terças-feiras e aos sábados, às vezes passando a noite no local quando realizava cirurgias. Hussein também trabalhava no Aadobe Animal Hospital, em Staten Island.

“Todos os clientes perguntavam por ele”, disse Mansour, emocionada. “‘Onde está o médico egípcio? Onde está o médico egípcio?’”

A van operava como Low Cost Vet Mobile, um serviço veterinário voltado a donos de animais de baixa renda. De acordo com documentos judiciais, Alexanian controla tanto a instituição de caridade proprietária das vans quanto a empresa responsável por sua gestão.

Ativista de longa data na defesa do cuidado humanitário com animais, Alexanian já escreveu uma coluna sobre o tema para o New York Daily News. Segundo ele afirmou em um processo de 2021 contra vizinhos, sua empresa também prestava serviços para a central telefônica 311 da cidade.

Na ação judicial, Alexanian disse ser diretor executivo da Companion Animal Network, organização sem fins lucrativos que utilizava sua empresa de gestão, a Vet Mobile, para operar as vans. Em troca, a empresa ficaria com 25% dos lucros.

De acordo com o site do serviço, a clínica móvel oferece desde vacinas de rotina até cirurgias de emergência, com exames completos a partir de US$ 25. Ainda segundo a página, os médicos já trataram 51 mil animais e realizaram mil cirurgias de grande porte.

Não estava claro, até o domingo, se o negócio era licenciado ou se havia passado recentemente por inspeção. Um porta-voz do departamento de saúde da cidade disse não ter informações disponíveis.

Morador a poucas casas do local, Eduardo Alvarado, de 34 anos, contou ter ouvido estalos vindos do gerador na noite de sábado, enquanto construía um boneco de neve com o filho de 9 anos. Um técnico apareceu para consertar o equipamento, e Alexanian saiu de casa para ajudar.

Segundo Alvarado, os barulhos aumentaram enquanto os homens trabalhavam, o que o deixou apreensivo. “Eu disse: ‘Volta para cá, só por precaução, caso aquilo exploda’”, relatou.

Antes de entrar em casa, ele viu um casal deixar um cachorro de pequeno porte na van, que, segundo vizinhos, costumava receber clientes até tarde da noite.

O veículo estava estacionado em frente ao prédio onde mora Jenkins, que fez a ligação para o 911. Ela disse acreditar que a tragédia poderia ter sido evitada.

“Eu realmente sinto que isso poderia ter sido evitado se ele tivesse operado em um consultório e não em uma van”, disse. “Vidas poderiam ter sido salvas. Alguém perdeu seu animal hoje.”

Hussein completaria 54 anos ainda neste mês, segundo a viúva. Casados desde 1999, após se conhecerem por meio de amigos da família, eles tinham três filhos, de 17, 20 e 25 anos. O sogro do veterinário, Ahmed Mansour, de 74 anos, afirmou que a família pretende enviar o corpo para o Egito, onde Hussein nasceu, para sepultamento na cidade de Asyut.



Com informações da fonte
https://oglobo.globo.com/mundo/epoca/noticia/2026/02/02/veterinario-e-cachorro-sao-encontrados-mortos-em-van-nos-eua-policia-investiga-intoxicacao-por-monoxido-de-carbono.ghtml

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