O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quinta-feira que vai processar o The New York Times por causa de uma pesquisa de opinião desfavorável e afirmou que levantamentos que classificou como “falsos” deveriam ser criminalizados. A reação ocorre em meio à divulgação de um novo levantamento do jornal em parceria com a Universidade Siena que aponta desgaste da imagem do republicano um ano após o início de seu segundo mandato.
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Segundo a pesquisa, menos de um terço dos eleitores acredita que o país esteja em melhor situação do que quando Trump retornou à Casa Branca. No total, 32% dizem que os EUA estão melhores do que há um ano, enquanto 49% afirmam que a situação piorou. Uma ampla maioria sustenta ainda que o presidente tem se concentrado nas prioridades erradas. A taxa geral de aprovação de Trump está em 40%, três pontos percentuais abaixo do registrado em setembro. Apenas 42% dos eleitores classificaram o primeiro ano do segundo mandato como um sucesso.
A divulgação da pesquisa levou Trump a atacar diretamente o jornal americano. “O levantamento Times/Siena será acrescentado ao meu processo contra o fracassado New York Times”, escreveu o presidente na Truth Social. “Eles serão plenamente responsabilizados por todas as suas mentiras e irregularidades da esquerda radical.” Em outra publicação, Trump afirmou que “pesquisas falsas e fraudulentas deveriam ser, praticamente, um crime”. O presidente já moveu diversos processos por difamação contra veículos como BBC, CNN, Wall Street Journal, CBS e ABC, alguns encerrados em acordos milionários.
Em setembro de 2025, Trump entrou com um processo de US$ 15 bilhões contra o New York Times, alegando que o jornal publicou reportagens falsas para prejudicar sua campanha presidencial de 2024 e sua reputação. A ação foi rejeitada por um juiz federal, mas reapresentada em outubro, em versão alterada. O jornal reagiu classificando o processo como “uma tentativa de sufocar o jornalismo independente” e um ato de “intimidação”.
A pesquisa divulgada nesta quinta-feira é o levantamento mais recente a indicar que a popularidade de Trump continua em queda. A maioria dos entrevistados desaprova a condução de Trump em temas centrais, como a economia, a imigração, a guerra na Ucrânia e as ações dos EUA na Venezuela. De forma significativa, 51% dos eleitores disseram que as políticas do presidente tornaram a vida menos acessível financeiramente. Apenas 24% afirmaram que Trump tornou o custo de vida mais barato, e só 34% avaliam positivamente sua atuação nesse tema.
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Um dos poucos indicadores favoráveis ao presidente é que a parcela dos eleitores que dizem que o país está no caminho certo — embora baixa — permanece praticamente inalterada desde pelo menos abril e segue superior à registrada durante o governo de seu antecessor, Joe Biden (2021-2025). Sob Trump, a maioria dos republicanos ainda acredita que os Estados Unidos seguem na direção correta.
Ainda assim, surgem sinais de enfraquecimento do apoio dentro do próprio Partido Republicano, especialmente em política externa e no enfrentamento do custo de vida. O pior desempenho de Trump entre republicanos aparece na condução da divulgação de arquivos ligados ao criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein: apenas 53% dos eleitores do partido aprovaram sua atuação nesse episódio.
Entre eleitores independentes — grupo decisivo em disputas eleitorais —, apenas 34% aprovam o desempenho do presidente. Nesse segmento, o número dos que consideram que o país está pior do que há um ano é mais que o dobro dos que dizem que a situação melhorou: 52% contra 24%. Em um cenário hipotético para as eleições legislativas de meio de mandato de 2026, os eleitores disseram preferir um candidato democrata a um republicano por cinco pontos percentuais, 48% a 43%. Entre independentes, a vantagem democrata chega a 15 pontos, embora uma parcela significativa tenha optado por não indicar preferência partidária.
Quando questionados de forma aberta sobre as emoções despertadas pelo presidente, democratas relataram indignação, tristeza, repulsa ou medo. Republicanos mencionaram orgulho, satisfação, esperança ou alívio. Entre eleitores que votaram em Trump em 2024, cerca de 12% expressaram sentimentos ligados à indignação, repulsa ou decepção. A popularidade duradoura junto à base cria, no entanto, um dilema para candidatos republicanos ao Congresso, que precisam mobilizar os eleitores fiéis a Trump sem afastar os indecisos.
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A economia segue, de longe, como a principal preocupação do eleitorado, seguida por inflação e custo de vida. Embora a aprovação de Trump na área econômica (40%) reflita seu índice geral, outros indicadores mostram fragilidade. Apenas 32% dizem que a economia está melhor hoje do que há um ano. Ainda assim, a avaliação do cenário econômico atual é ligeiramente mais positiva do que em abril de 2025: 29% classificam a economia como boa ou excelente, ante 22% naquele mês.
Apesar das críticas, a maioria dos eleitores considera que Trump teve um ano produtivo. Para 39%, ele fez o que se esperava; para 40%, fez mais do que o esperado — avaliação compartilhada inclusive por uma maioria de democratas. A divisão aparece, porém, na análise da qualidade do que foi realizado: 62% dos democratas dizem que o segundo mandato tem sido pior do que o esperado, enquanto a maioria dos republicanos o classifica como dentro do previsto (48%) ou melhor (39%).
Considerado um dos institutos de pesquisa política mais precisos e de maior visibilidade nos Estados Unidos, o Times/Siena destacou, nos resultados mais recentes, o que o jornal classificou como o desmonte da coalizão que garantiu a vitória de Trump na eleição de 2024. De acordo com a sondagem, eleitores jovens e não brancos que apoiaram Trump na disputa contra a democrata Kamala Harris agora se afastaram do presidente, deixando-o dependente de sua base tradicional, formada majoritariamente por eleitores mais velhos e brancos.
(Com AFP e New York Times)
2026-01-22 15:18:00



