O Departamento de Justiça dos Estados Unidos acusa quatro brasileiros, moradores do país, por lavagem de dinheiro obtido ilicitamente, que estaria sendo depositado em bancos americanos. Ygor Fokin Saviolli, Gabriel Cezar Menezes, João Andrade de Mello e Leandro de Ávila Gonçalves estariam à frente do disfarce do lucro obtido de forma Ilegal, que, segundo as autoridades chega a mais de 30 milhões de dólares — cerca de R$ 158 milhões na cotação atual. De acordo com as investigações, a principal fonte das cifras seria o tráfico de drogas.
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Os réus apresentaram-se à Justiça dos EUA na última quarta-feira. O GLOBO não conseguiu contato com os quatro brasileiros ou suas defesas. O espaço segue aberto para manifestações.
Segundo as averiguações americanas, o grupo agia como facilitador e mensageiro de quadrilhas envolvidas com o narcotráfico. Os quatro homens, na companhia do mexicano Omar Aliperti de Mello Correa, também envolvido no esquema, depositavam grandes quantias de dinheiro ilícito, incluindo renda do tráfico, em bancos americanos, a fim de ocultar a origem dos fundos e repassar os lucros aos fornecedores de drogas.
Os milhões lavados foram depositados em agências bancárias de diversas partes dos Estados Unidos, em dinheiro vivo. Segundo o processo judicial, os bancos estariam nas cidades de Miami (Flórida), Rochester (Nova York), Chicago (Illinois), Cleveland (Ohio), Atlanta (Georgia), Minneapolis (Minnesota), Los Angeles (Califórnia), Denver (Colorado), Seattle (Washington), Houston (Texas), Kansas City (Kansas) e Pensacola (Flórida).
Ygor, um dos brasileiros envolvidos, tem uma microempresa aberta em seu nome desde 2019. Com o nome fantasia de Saviolli, o empreendimento é localizado em Araraquara, São Paulo, e, segundo a Receita Federal, atuaria no ramo de serviços combinados de escritório e apoio admnistrativo. O negócio do réu não é citado no caso
O FBI de Miami é o responsável pelo caso e conta com o apoio da Drug Enforcement Administration (DEA) de Rochester, dos escritórios de Miami e de Brasília da Homeland Security Investigations (Investigações de Segurança Interna), e do FBI de Orlando.
O caso é conduzido pela procuradora federal adjunta Monique Botero, do Distrito do Sul da Flórida. Ela conta com o apoio do procurador federal assistente Brandon Gonzalez, do Distrito Oeste de Nova York, além da colaboração dos advogados James Hepburn e Jessee Alexander-Hoeppner, da Seção de Lavagem de Dinheiro, Narcóticos e Confisco da Divisão Criminal.
De acordo com o jornal Miami Herald, durante a apresentação à Justiça, parte dos réus se declarou inocente e foi liberada sob fiança, enquanto outros aguardam audiências no Tribunal Federal de Miami. Os réus são acusados de lavagem de dinheiro, crime que prevê, na Justiça americana, pena máxima de 20 anos de prisão. Se condenados, os brasileiros também poderão sofrer deportação.



