O julgamento dos assassinatos de Marielle Franco e Anderson Gomes no Supremo Tribunal Federal (STF) será o primeiro da corte desde a Constituição de 1988, mas não da história do plenário. Em 1947, o STF julgou o desembargador da Bahia Edgar Joaquim de Souza Carneiro pela morte do advogado Otávio Barreto dentro do Tribunal de Justiça da Bahia. O magistrado foi inocentado após os ministros entenderem que ele agiu em legítima defesa.
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O caso foi parar na Suprema Corte porque o STF era o foro privilegiado para julgar desembargadores de tribunais estaduais. Atualmente, esses casos são de competência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), criado na última Constituição. Segundo a denúncia de Themístocles Cavalcanti, então Procurador Geral da República, o crime ocorreu em 29 de outubro de 1946. O desembargador Edgar Joaquim tinha desavenças com a vítima e teria mandado o advogado deixar um dos cartórios do Tribunal. Com a recusa de Otávio, começou uma discussão que culminou com o assassinato.
Primeiro dia do julgamento do caso Marielle Franco no STF
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Primeiro dia do julgamento do caso Marielle — Foto: Gustavo Moreno/STF
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Primeiro dia do julgamento do caso Marielle Franco no STF — Foto: Gustavo Moreno/STF
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Família de Marielle cobra punição dos acusados de matar vereadora — Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
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Primeiro dia do julgamento do caso Marielle. O vice-procurador-geral da República Hindenburgo Chateaubriand Filho — Foto: Gustavo Moreno/STF
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Inicio do julgamento no STF dos mandantes do assassinato da ex-vereadora, Marielle Franco. — Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
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Familiares posam para foto antes do Inicio do julgamento no STF dos mandantes do assassinato da ex-vereadora, Marielle Franco. — Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
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Primeiro dia do julgamento do caso Marielle Franco no STF — Foto: Gustavo Moreno/STF
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Ministro Alexandre de Moraes durante inicio do julgamento no STF dos mandantes do assassinato da ex-vereadora, Marielle Franco. — Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
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Ministra Carmém Lúcia durante inicio do julgamento no STF dos mandantes do assassinato da ex-vereadora, Marielle Franco. — Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
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Inicio do julgamento no STF dos mandantes do assassinato da ex-vereadora, Marielle Franco. — Foto: Valter Campanato / Agência Brasil
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Dois meses após o crime, o desembargador foi interrogado no STF e afirmou que Otávio Barreto era uma “pessoa inimiga” porque já “o agredira brutalmente em plena rua”. Joaquim contou estar de saída do Fórum aquele dia e foi ao térreo buscar seu chapéu, quando percebeu a presença da vítima na porta de cartório judicial, onde ele iria pegar o acessório. Ele alegou que a presença do advogado ali era um “sério constrangimento”, já que não poderia recuar, pois “era obrigado a ir em busca do chapéu”.
O desembargador disse então ter percebido que o advogado o estava espreitando, “fingindo ler autos”, e concluiu que ele queria repetir as agressões anteriores. O desembargador contou ter pedido para Otávio Barreto sair, mas o advogado negou. Após a recusa, Barreto teria atirado com um revólver na direção de Joaquim, que revidou e matou o homem.
Os ministros do STF, por unanimidade, entenderam que o desembargador Edgar Joaquim de Souza Carneiro agiu com legítima defesa e o absolveu pela morte. O Tribunal funcionava na Avenida Rio Branco, onde hoje funciona o Centro Cultural Justiça Federal. A sede foi transferida em 1960 para Brasília.



