A Delegacia Especializada de Atendimento ao Adolescente (DEA) de Mossoró, no Rio Grande do Norte, investiga o caso de um menor de idade que posou para fotos vestido com o traje do Exército Alemão da Segunda Guerra Mundial e fez gestos de saudação ao regime hitlerista durante um baile de formatura de estudantes de Medicina, na noite de sábado (10). A informação foi confirmada ao GLOBO pelo delegado titular, Rafael Arraes. Segundo ele, estão em diligência para identificar o adolescente.
O evento, organizado pela empresa Master Produções e Eventos, era da turma 3 de Medicina da Faculdade de Enfermagem e de Medicina Nova Esperança (Facene), em Mossoró, e reuniu cerca de 1.800 pessoas.
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Segundo a Master Produções e Eventos, o menor era convidado de duas irmãs formandas e chegou ao evento acompanhado dos pais, após as 23h, sem o uniforme nazista. Em nota, a empresa esclarece que ele e a família permaneceram no local até 0h30 e que, em “um momento pontual e sem conhecimento da organização”, houve a troca de roupa para fotografias de “cunho pessoal”.
“A Master Produções e Eventos repudia de forma veemente qualquer ato, símbolo ou manifestação relacionada ao nazismo, ou a ideologias de ódio. A apologia ao nazismo é crime no Brasil, e não compactuamos, não toleramos e não aceitaremos esse tipo de conduta em eventos sob nossa responsabilidade”, afirma a empresa em nota. A organização também informa que todas as medidas cabíveis estão sendo tomadas.
A Facene, por sua vez, declarou que não teve participação na organização do evento e repudiou manifestações de apologia ao nazismo. Em nota, a instituição reiterou que não tolera símbolos ou condutas que promovam “ódio, discriminação ou apologia a regimes totalitários”.
“Reiteramos que a Facene não tolera símbolos, manifestações ou condutas que promovam ódio, discriminação ou apologia a regimes totalitários. Destacamos, ademais, a responsabilidade primordial dos genitores e/ou responsáveis legais pelo menor envolvido, que devem zelar pela formação ética, pelo respeito aos direitos humanos e assumir as consequências educativas e legais dos atos praticados”, diz o comunicado.
Ainda segundo a universidade, serão adotadas medidas para reforçar as comunicações aos formandos sobre a ausência de vínculo institucional com eventos privados, além da revisão de orientações sobre parcerias externas, com o objetivo de evitar episódios semelhantes.
Ao longo de 72 dias, a turma fez uma contagem regressiva para a formatura nas redes sociais. Entre os registros do baile tão aguardado, nos quais os formandos aparecem celebrando a festa, foi divulgada uma nota de repúdio ao ocorrido. No texto, a turma afirma que só tomou conhecimento do episódio por meio de mensagens e publicações nas redes sociais e ressalta que os formandos “ficaram atentos aos seus convidados” durante o evento.
Os estudantes também pedem desculpas, enquanto turma, pela atitude “irresponsável, negligente e criminosa do convidado e de seus familiares” e afirmam que as medidas cabíveis estão sendo tomadas.
“Esperamos que a mácula social recaia sobre os devidos responsáveis. Comprometemo-nos com vocês de que as medidas cabíveis estão sendo tomadas. A apologia ao nazismo não tem e jamais terá espaço em nosso meio, assim como qualquer desrespeito aos direitos humanos. Enquanto médicos, prometemos cuidar, antes de tudo, da vida como o bem mais precioso”, escreveram.
*Estagiária sob supervisão de Daniela Dariano
2026-01-12 17:32:00



