A Polícia Civil de São Paulo está à procura de Thiago Fernando Monteiro, de 40 anos, técnico em eletrônicos, suspeito de envolvimento no desaparecimento de sua ex-companheira, Beatriz Aparecida de Araújo Cruz, de 31. Ela foi vista pela última vez na noite de 19 de abril deste ano, por volta das 22h13, quando saiu da casa da mãe, em Serra Negra (SP), para trabalhar em um hotel. Desde então, não fez mais contato com a família.
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Thiago também está sumido. No início do mês, ainda respondia mensagens de WhatsApp afirmando que também procurava pela ex-mulher. Depois disso, o telefone dele deixou de funcionar. Com base nas suspeitas, a Justiça decretou sua prisão temporária.
Segundo a família da vítima, ele manteve Beatriz em uma relação abusiva durante 14 anos, marcada por agressões físicas, controle da rotina, proibição de trabalhar e restrição de acesso a documentos. Em determinado momento, afirmam, chegou a mantê-la em cárcere privado.
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A obsessão de Thiago era tamanha que ele teria construído uma casa na zona rural de Serra Negra com paredes externas de vidro, projetada para que pudesse observá-la em todos os cômodos pelo lado de fora. Além disso, a suíte do casal não possuía divisórias: o vaso sanitário, a pia e o chuveiro ficavam ao lado da cama, sem qualquer barreira, para que a companheira nunca saísse de seu campo de visão, nem durante a higiene pessoal.
Em fevereiro, Beatriz foi retirada a força de casa pela mãe, Roseli Aparecida de Araújo, de 56 anos, durante a madrugada, depois que o filho do casal, de 8 anos, correu até a casa da avó pedindo socorro, dizendo que o pai estava espancando fortemente a mulher. Já separada, ela teria sido sequestrada por Thiago e levada até um ponto turístico da cidade, onde foi coagida a prometer que retomaria a relação.
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Diante da ameaça, ela registrou denúncia pelo canal 180. Em 3 de abril, obteve medida protetiva expedida pela juíza Juliana Maria Finati, da 1ª Vara de Serra Negra, que determinou o afastamento imediato de Thiago e proibiu qualquer contato. Mesmo assim, ele continuou se aproximando.
Roseli conta que o relacionamento do casal foi marcado por um ciclo de violência e reconciliação. Após cada agressão, Thiago pedia perdão, prometia mudar e convencia Beatriz a voltar. Na esperança de que ele cumprisse o trato, ela cedia. Esse padrão se repetiu por anos, agravando os abusos.
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Na manhã de 20 de abril, Roseli começou a desconfiar de que algo estava errado com a filha. As duas haviam combinado que a mãe iria ao supermercado comprar materiais para fazer ovos de Páscoa, como era tradição de Beatriz para o filho e os sobrinhos. Roseli descreveu, por mensagem, os itens que estava comprando. A filha visualizou, mas não respondeu.
Uma nova mensagem nem chegou a ser recebida, indicando que o telefone estava desligado. Roseli, então, telefonou para o hotel e foi informada pelo gerente de que a filha não havia aparecido para o turno. Desde então, não houve mais contato.
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A família criticou a condução da investigação pela Polícia Civil de Serra Negra. Roseli relatou que, mesmo com os indícios apontando para Thiago, ele permaneceu circulando livremente pela cidade por pelo menos 15 dias após o desaparecimento da mulher. A mulher também afirma ter dificuldade para obter informações sobre o andamento do caso e para acessar documentos oficiais, como o mandado de prisão, que só foi confirmado dias depois.
As buscas da polícia contam com cães farejadores e cadavéricos em áreas de mata, mas nenhuma linha de investigação foi apresentada à família. A Polícia Civil não respondeu aos pedidos de esclarecimento.
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“A cada dia que passa, a dor só aumenta. Já são 40 dias sem notícia da minha filha. Eu mando mensagem, ligo e nada. Ela nunca deixaria o filho sem notícias. A polícia procura por ela com cães na floresta, procura corpo, e eu me pergunto se ainda acreditam que ela está viva. Eu preciso acreditar que sim. Mas o que me angustia é não saber o que estão fazendo. A sensação é de abandono. Eu só quero respostas. Eu só quero minha filha de volta”, desabafou Roseli.
O blog tentou contato com Thiago, mas não obteve retorno. Ele também não tem defesa constituída até o momento.
2025-05-28 03:30:00