Marcos Espínola: Cofre do crime no alvo |

Marcos Espínola é advogado criminalista e especialista em segurança pública – divulgação Marcos Espínola é advogado criminalista e especialista em segurança pública divulgação Publicado 29/08/2025 00:00 Muitas vezes sinalizamos a necessidade de ações integradas na área de segurança pública, tendo




Marcos Espínola é advogado criminalista e especialista em segurança pública
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Muitas vezes sinalizamos a necessidade de ações integradas na área de segurança pública, tendo como prioridade identificar e combater o fluxo financeiro do crime organizado. Com o crescimento das organizações criminosas nas últimas décadas ficou notória a diversificação de fontes de recursos em vários segmentos e isso fez com que ficássemos carentes de operações robustas, buscando frear esse crescimento exponencial. Nesta semana, tivemos um exemplo disso, com uma megaoperação atingindo resultados significativos, interrompendo esquemas que movimentaram mais de R$ 70 bilhões em todo o Brasil.

Segundo a polícia federal, foram movimentados cerca de R$ 52 bilhões, entre 2020 e 2024, por meio de aproximadamente mil postos de combustíveis em dez estados brasileiros, além de usinas de produção de álcool, frota de mais de 1.600 caminhões, 100 imóveis, como fazendas etc., numa ocultação de patrimonial similar ao que acontece nos paraísos fiscais. A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional bloqueou mais de R$ 1 bilhão em bens para garantir o pagamento de créditos tributários que, até agora, já somam R$ 8,67 bilhões. Além da sonegação e adulteração, as fraudes incluíam o uso de metanol na gasolina e a simulação de transações em postos de gasolina e lojas de conveniência usadas para lavar dinheiro, recebendo valores em espécie ou por maquininhas de cartão.

Um esquema bilionário de sonegação fiscal, adulteração de combustíveis e lavagem de dinheiro que vinha sendo alvo da Operação Carbono Oculto nos últimos anos. O esquema contava ainda com uma Fintech que atuava como banco paralelo do crime organizado e, sozinha, movimentou R$ 46 bilhões. Só R$ 21,6 milhões foram encontrados em declarações fiscais falsas para justificar a compra de postos de gasolina.

As investigações apontaram que a organização criminosa controlava toda a cadeia do setor, da importação à venda final, usando centenas de empresas para dissimular a origem do dinheiro. Uma mega lavagem que leva a constatação de uma nova forma de atuar, sofisticada e com movimentações financeiras similares a grandes investidores do mercado.

Para chegar a esse esquema foi preciso uma operação de inteligência compatível à complexidade do esquema, com a cooperação entre as polícias estaduais e federal, coordenadas pelo Ministério Público e participação, ainda, da Receita Federal, auditores fiscais, secretarias de fazenda, subsecretarias da receita nos estados etc., ou seja, uma megaoperação, a maior já vista no país. E esse é o caminho, pois só assim, com integração será possível combater e secar as fontes de recursos do crime.

Marcos Espínola é advogado criminalista e especialista em segurança pública



Conteúdo Original

2025-08-29 00:00:00

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