Os quatros jovens vindo de Minas Gerais encontrados mortos em Santa Catarina na manhã do último sábado tinham lesões pelo corpo que podem indicar sinais de tortura, segundo a policia. O delegado regional de Florianópolis (SC), Pedro Mendes, afirmou que a investigação segue em andamento e não é descartada nenhuma hipótese sobre motivações e circunstâncias do crime.
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— Não descartamos nenhuma hipótese. Pode ser sim briga de facção criminosa, pode ter sido alguma discussão que aconteceu que antecedeu aos fatos, pode ter sido algum tipo de crime patrimonial. A gente trabalha com todas as hipóteses — disse o delegado em entrevista a TV Globo.
No sábado, a Polícia Militar declarou que recebeu informações sobre a localização dos corpos abandonados às margens de uma estrada no bairro Fundos, que estavam amarrados e, aparentemente, mutilados.
A Polícia Civil de Santa Catarina informou que instaurou inquérito policial para apurar as circunstâncias da morte de Daniel Luiz da Silveira, de 28 anos, Bruno Máximo da Silva, 28, Guilherme Macedo de Almeida, de 20, e Pedro Henrique Prado de Oliveira, de 19. A corporação ainda aguarda a conclusão dos laudos periciais de necropsia, que indicarão a causa das mortes e eventuais outros detalhes.
A irmã de Guilherme, Laís Almeida, disse ao jornal O GLOBO que “a dor não tem fim”.
— Fica um sentimento de se realmente estão investigando ou não. A Polícia disse para a minha mãe que ainda não tem nada concreto. Parece uma dor que não tem fim — , contou.
Ainda de acordo com o delegado responsável sobre o caso, foi apurado que alguns dos jovens têm passagens pela polícia.
— Vamos investigar quais são os tipos de crime e ver se a policia mineira tem informação sobre envolvimento com facção criminosa — afirmou.
Conforme apurado pelo g1, Bruno teve quatro passagens pelo sistema prisional mineiro de agosto de 2019 e dezembro de 2023 e Pedro esteve preso por um dia em julho de 2024, mas saiu após alvará de soltura concedido pela Justiça, de acordo com a Secretaria de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais. A motivação de ambas prisões não foi informada.
Laís compartilhou com a reportagem do O GLOBO a última conversa que teve com o irmão antes dele parar de dar notícias.
— Já não tenho mais nada a perder nessa vida, levaram meu irmão, a criança que vi crescer, cuidei, que me preocupava — desabafou.
Daniel, Bruno, Guilherme e Pedro foram vistos pela última vez no dia 28 de dezembro de 2025, por volta das 3h, em frente ao prédio onde moravam, no bairro de Barreiros. Segundo a irmã de Guilherme, Laís Almeida, o grupo teria saído de casa para ver o nascer do sol em uma praia da região.
— A ex-companheira do Bruno conseguiu entrar no Instagram dele e viu ele dizendo para uma menina que iria ver o nascer do sol em uma praia com os meninos. Ele disse que todos estavam loucos e que não conseguiam ficar dentro do apartamento. Porém, umas 3h e pouco ele (Bruno) parou de responder — contou.
A saída dos jovens foi registrada por câmeras de monitoramento, que mostram o grupo deixando o prédio a pé. No entanto, imagens de um estabelecimento próximo, obtidas por Laís, mostram três deles novamente perto do imóvel às 4h.
— Nas imagens, às 4h16 aparece o Guilherme e o Bruno, que estava mexendo no celular muito bravo, parecia que ele estava discutindo com alguém. E depois às 4h18, o Pedro aparece, entra em um carro sozinho e depois saí novamente a pé — revela.
A irmã conta que a polícia ainda não se posicionou sobre as filmagens.
A suspeita de desaparecimento surgiu após o grupo, que é de Minas Gerais, não retornar contato com os familiares. De acordo com Laís, Guilherme conversou com a mãe por chamada de vídeo no sábado (27) de manhã.
— Ele disse para minha mãe que estava na praia com Daniel. Como o Gui dava notícias todo dia, começamos a desconfiar do desaparecimento no domingo quando ele não mandou e nem respondeu nossas mensagem, daí começamos a entrar em contato com a família do Pedro e confirmamos o sumiço dos meninos — disse.
Pedro Henrique é natural de Araraquara (SP), Guilherme e Bruno de Guaranésia (MG) e Daniel Luiz de Guaxupé (MG). Segundo familiares, eles haviam se mudado entre os meses de outubro e dezembro para Santa Catarina para trabalhar.
Conforme o g1, a ausência prolongada dos jovens também chamou de um vizinho, que percebeu que o apartamento permanecia aberto e sem movimentação por pelo menos dois dias e fez um boletim de ocorrência na terça-feira (30).
De acordo com relatos, o imóvel foi encontrado em condições que indicavam uma saída rápida e a intenção de retorno, pois a porta estava destrancada, as janelas abertas, havia comida sobre o fogão e os carregadores de celular também foram encontrados conectados às tomadas.
Estagiária sob supervisão de Alfredo Mergulhão
2026-01-07 10:45:00



