Investimento estadual em segurança é insuficiente contra o crime organizado

É compreensível que, neste ano eleitoral, os governadores queiram dar publicidade a suas ações na área da segurança pública, até para contrastar com a omissão do governo federal no enfrentamento ao crime organizado. Multiplicam-se eventos e postagens em redes sociais


É compreensível que, neste ano eleitoral, os governadores queiram dar publicidade a suas ações na área da segurança pública, até para contrastar com a omissão do governo federal no enfrentamento ao crime organizado. Multiplicam-se eventos e postagens em redes sociais sobre o tema, como mostrou reportagem do GLOBO.

  • Editorial: É urgente conter avanço do crime organizado sobre território do Rio

Em São Paulo, nas redes sociais do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), a segurança foi o tema mais frequente em dezembro, com publicações sobre operações policiais, formatura de agentes e combate ao crime organizado. O governador do Paraná, Ratinho Junior (PSD), anunciou com estardalhaço investimentos de R$ 116 milhões na segurança pública. O pacote inclui helicópteros, 1,5 mil fuzis e 91 veículos para a polícia. “Não teremos nenhuma viatura sem um fuzil”, disse. Ronaldo Caiado (União), governador de Goiás, anunciou em dezembro R$ 81 milhões em armamentos e um helicóptero para a Polícia Militar.

  • Editorial: Prisão de Bacellar evidencia infiltração do crime organizado na política

O governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), costuma enfatizar em suas publicações os baixos índices de criminalidade no estado. Em setembro, anunciou a compra de 350 fuzis israelenses para a Polícia Civil, dizendo que eram semelhantes aos usados pelo Bope, no Rio, ou pelo Exército americano. “Se a polícia me pedir um tanque de guerra, eu vou autorizar”, disse. O petista Jerônimo Rodrigues, governador da Bahia, que tem na segurança um dos seus maiores desafios, rebateu críticas da esquerda à compra de armas. “Eu vou comprar mais armas, e armas potentes, para enfrentar o crime à altura que o crime merece”, afirmou.

Os governadores estão certos em equipar a polícia para que possa enfrentar o crime organizado em igualdade de condições. Não é segredo que as quadrilhas estão, com frequência, mais bem armadas que os policiais. Na operação contra o Comando Vermelho nos complexos do Alemão e da Penha no ano passado, traficantes usaram drones para lançar bombas contra os agentes. O lucro obtido com a atividade criminosa lhes permite comprar armamento potente de guerra para usar contra o Estado.

Mas o combate à violência precisa ir além disso. A realidade mostra que mesmo as polícias estaduais mais bem equipadas têm dificuldades para derrotar facções que se tornaram multinacionais do crime. Não se vislumbra sucesso contra o crime organizado sem um plano nacional abrangente, que uniformize procedimentos e bases de dados, reunindo governos federal, estaduais e municipais trabalhando de forma integrada. Os mesmos governadores que acertadamente investem na segurança deveriam apoiar maior participação federal na área. Esse é o tema da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança, que enfrenta no Congresso forte resistência justamente das bases ligadas a eles. Por mais bem armados que seus estados estejam, claramente não terão condição de enfrentar o crime sozinhos.



Conteúdo Original

2026-01-20 00:09:00

Posts Recentes

PUBLICIDADE

PUBLICIDADE