Amanda Loureiro era agente comunitária na Clínica da Família Carlos Nery da Costa FilhoReprodução / Redes Sociais
Rio – A família da agente comunitária Amanda Loureiro da Silva Mendes, de 27 anos, assassinada pelo ex à queima-roupa em Quintino, na Zona Norte, afirmou que o crime foi premeditado. Segundo parentes, Wagner Beserra de Araújo, preso em flagrante, ameaçava a vítima corriqueiramente após o término da relação.
Pai de Amanda, o bombeiro hidráulico Marcos Antônio Santos e a tia da vítima, a auxiliar de cozinha Patrícia Loureiro da Silva, estiveram na manhã desta quinta-feira (5) na 29ª DP (Madureira), responsável pelo caso, em busca de pegar documentos e seguir com os procedimentos de liberação do corpo para o enterro.
À imprensa, Marcos contou que, depois da separação, Wagner começou a ameaçar sua filha e chegou até a agredi-la. Segundo o bombeiro, houve uma conversa com o ex-genro para melhorar a atitude, inclusive o levando para uma igreja, mas isso não evitou a violência. O pai de Amanda afirmou que a execução foi planejada.
“Um crime premeditado. Ele armou tudo e não teve nenhum arrependimento. Destruiu duas famílias: a dele e a nossa. A minha mulher está a base de remédio. O cara deixou duas crianças órfãs, de pai e mãe. Ontem, o garoto perguntou sobre a mãe e a gente disse que ela foi fazer uma viagem. Ele não teve sentimento pelos próprios filhos”, comentou.
Amanda tinha uma medida protetiva contra Wagner devido a um episódio de agressão. De acordo com a tia, o homem era uma pessoa tranquila durante a relação. No entanto, quando a agente comunitária resolveu se separar, ele se revoltou e não aceitou o término.
“Oito meses separados e vários boletins de ocorrência em várias delegacias. A última vez que ela se separou dele foi por agressão. Ele a deixou toda roxa, quebrou a casa deles toda. Já era uma tragédia anunciada. Ele arquitetou tudo, pode ter certeza disso. Fez tudo calculado, caso pensado, não foi de uma hora para outra. Ele vinha a perseguindo, chegou a ir onde ela trabalhava e a agrediu lá. Só que precisou ele matar para prender. É mais uma para estatística”, acrescentou a tia.
Nas redes sociais, amigos pediram justiça e lamentaram o caso. “Amanda, que Deus faça justiça por você! Meus sentimentos a todos. Estou arrasada, estive com ela essa semana. Jovem e cheia de planos para o futuro. Que Deus conforte os familiares nesse momento de tanta dor pela perda”, disse uma internauta.
O corpo da vítima foi levado para o Instituto Médico Legal (IML) do Centro na manhã desta quinta. Ainda não há informações sobre o enterro.
Relembre o caso
Amanda foi executada a tiros na Rua Clarimundo de Melo, nesta quarta-feira (4), a poucos metros da Clínica da Família Carlos Nery da Costa Filho, onde trabalhava, em Quintino, na Zona Norte.
Uma câmera de monitoramento flagrou Wagner Araújo sacando uma arma e atirando contra a vítima depois de uma discussão. Ela chegou a ser socorrida e encaminhada para o Hospital Municipal Salgado Filho, no Méier, também na Zona Norte, mas não resistiu.
Wagner foi preso em flagrante horas depois. Equipes da 29ª DP (Madureira) o encontraram na Estrada do Portela.
“Ele efetuou dois disparos contra a vítima, fugiu e jogou a arma do crime na linha férrea. Com as imagens de câmeras obtidas, nossas equipes conseguiram prendê-lo próximo ao shopping de Madureira. Também localizaram uma colega da vítima, que presenciou o feminicídio e foi ouvida”, disse o delegado Reginaldo Guilherme da Silva, titular da 29ª DP.
O homem já tinha sido detido por homicídio em 2019 e possui passagens por porte ilegal de arma de fogo e violência doméstica. Os agentes seguem com as investigações para encontrar a arma usada no crime.
*Colaboração de Érica Martin



