Após a Polícia Civil reabrir o caso sobre as investigações da morte de Sabine Boghici (herdeira do marchand e colecionador de arte Jean Boghici), sua mãe, Geneviève Rose Marie Coll Boghici, decidiu falar sobre a morte da filha. Sabine caiu do 4º andar de um prédio na Lagoa, Zona Sul do Rio, em setembro de 2023. A mãe da vítima acredita que a filha foi induzida ao suicídio pela vidente Rosa Stanesco Nicolau para que ela, viúva de Sabine, ficasse com sua parte na herança milionária da família, que inclui imóveis e obras de arte valiosas de pintores famosos.
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— Na vida, a gente tem que lutar pela verdade. O crime que causou a morte de Sabine é cheio de mentiras. Rosa Stanesco e sua família são bandidos. Não estou falando contra os ciganos, mas de Rosa, que se apresentava como a vidente Mãe Valéria. Eu e minha filha fomos vítimas de roubo por acreditar em cartomantes. Inventaram que minha filha iria morrer. Eu, como mãe, faria qualquer coisa pela vida da minha filha — afirma Geneviève, em entrevista exclusiva ao blog Segredos do Crime, do GLOBO.
Rosa Stanesco é apontada como responsável por aplicar um golpe de R$ 725 milhões em obras de arte. Condenada a 49 anos e nove meses de prisão, a vidente, que se apresentava como “Mãe Valéria de Oxóssi”, cumpre pena no Complexo de Gericinó, em Bangu. Geneviève Boghici nunca acreditou na versão de suicídio da filha e procurou o blog Segredos do Crime para, pela primeira vez, contar como viveu a tragédia e quais suspeitas carrega desde então.
— Antes de tudo isso, vivíamos bem. Morávamos em uma cobertura na Avenida Atlântica e tínhamos uma galeria de arte reconhecida no Brasil e no exterior, com quadros valiosos. Seu pai, Jean, foi quem lhe ensinou a amar as artes. Sabine era atriz, modelo, dubladora, cantora e colecionadora de brinquedos. Vivia como uma princesa, cheia de vida e sonhos — contou Geneviève.
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‘Trabalhos espirituais’
Segundo a viúva de Jean Boghici, em 2019, sua vida começou a mudar. Foi quando Rosa e seus parentes se aproximaram de Geneviève e de Sabine. Segundo a mãe da vítima, foi a própria Sabine que contou detalhes do dia a dia da família Boghici.
— Uma meia-irmã de Rosa, Diana Stanesco, me abordou na rua como se já me conhecesse, como se soubesse minha história. Foi aí que começaram as exigências: disseram que eu tinha que fazer trabalhos espirituais. Disseram que Sabine estava possuída e que eu precisava pagar por trabalhos espirituais porque ela morreria. O primeiro pedido foi de R$ 50 mil, e nunca mais pararam. Eu dei muito dinheiro — conta a viúva de Jean Boghici.
Segundo Geneviève, uma das primeira medidas que tomou, seguindo os conselhos de Rosa, foi lhe entregar os quadros valiosos porque a vidente lhe dizia que traziam má sorte e precisava levá-los para “benzer”.
— Ela levou obras valiosas para a casa dela. Era um golpe muito bem arquitetado. A manipulação não era só financeira. Elas entraram na nossa casa, afastaram pessoas de confiança. Aos poucos, Sabine se transformou. Passou a obedecer às ordens de Rosa, a seguir orientações espirituais que eu não entendia — revela.
Geneviève disse que foi mantida em cárcere privado no próprio apartamento e que Rosa controlava tudo por meio de Sabine.
— Rosa a manipulava o tempo todo pelo telefone. Em um dos episódios mais assustadores, Sabine chegou a me ameaçar com um facão. Rosa colocou na cabeça dela que eu estava possuída e que precisava morrer. Só sobrevivi porque comecei a investigar quem elas eram. Tentei buscar ajuda médica para Sabine, mas fui impedida. Rosa mandou Sabine fugir. Essa foi a última vez que vi minha filha viva — conta a mãe da vítima.
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Geneviève, ao perceber o golpe, conseguiu fugir do apartamento e procurar a polícia, que conseguiu recuperar algumas obras roubadas. Sabine acabou presa com Rosa e os demais envolvidos na trama. Em seguida, a Justiça determinou uma medida protetiva que afastou a filha da mãe.
Caso Sabine Boghici
— Foi o momento mais doloroso da minha vida. Não pude cuidar dela quando mais precisava. Sabine ficou seis meses na prisão e foi libertada por não ter antecedentes. Depois, passou a morar com Catarina, filha de Rosa, num prédio na Lagoa. Após a morte de Sabine, amigos e vizinhos começaram a relatar horrores. Segundo testemunhas, Catarina agredia Sabine e a mantinha sob controle, junto do marido. Tudo isso nos leva a acreditar que não foi suicídio. O caso chegou a ser arquivado, mas foi reaberto após a minha insistência — afirma Geneviève.
2026-01-09 05:30:00



