A prestadora de serviços médicos Cirmed Brasil afirmou que os assassinatos cometidos por um de seus sócios, o médico Carlos Alberto Azevedo Silva Filho, não correspondem “aos valores e princípios da instituição”. O profissional foi preso na sexta-feira depois de abrir fogo e matar os colegas de profissão Luís Roberto Pellegrini Gomes, de 43 anos, e Vinicius dos Santos Oliveira, 35, após uma briga em um restaurante de Alphaville, na Grande São Paulo.
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Em nota publicada nas redes sociais, a Cirmed Brasil afirmou que tomou conhecimento do fato “envolvendo, em âmbito estritamente pessoal, um de seus sócios” e destacou que o caso diz respeito a “fatos pessoais e isolados” de Carlos Alberto, que “não se confundem com suas atividades institucionais, assistenciais, operações, contratos ou rotinas internas”. A companhia disse ter compromisso com a governança e respeito às leis e às instituições. Ressaltou, ainda, que não haverá prejuízo à continuidade dos serviços e das obrigações contratuais, leis e regulatórias aplicáveis.
Durante evento em setembro do ano passado, Carlos Alberto foi descrito pela Cirmed como “CEO”.
A Polícia Civil de São Paulo investiga a motivação do crime. Uma das hipóteses está ligada a disputas por contratos de licitação. O delegado Andreas Schiffmann afirmou ao g1 que Carlos e Luís Roberto eram donos de empresas do setor da saúde e “já vinham se desentendendo há algum tempo”. Parentes relataram que a relação entre os dois era marcada por rixa e ameaças, disse o delegado.
O crime, ocorrido na noite de sexta-feira (16), começou após autor e vítimas se cumprimentarem e sentarem na mesma mesa do estabelecimento, localizado na Avenida Copacabana. Carlos Alberto abriu fogo após uma discussão entre os médicos no local.
Vinícius trabalhava em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) de Cotia, município onde atuava desde 2019, quatro anos depois de se formar na Bolívia. O profissional passou por outras unidades básicas, pronto atendimento e também trabalhou no hospital de campanha durante a pandemia de covid-19, segundo a prefeitura da cidade. Ele deixa a mulher e um filho de 1 ano. O poder municipal disse que Vinícius era “reconhecido pelo comprometimento com o serviço público, pelo carinho com os pacientes e pela boa relação com as equipes de trabalho”.
Já Luís Roberto era formado desde 2012 e atuava em Barueri. Além de médico, era empresário, com negócios que vão da prestação de serviços em pronto-socorro e realização de procedimentos ao apoio administrativo a outras companhias do ramo.
Logo após um aperto de mão no restaurante, Carlos começou a agredir Luís Roberto. Nesse momento, o outro médico se levantou e passou a trocar socos com o homem.
Imagens divulgadas pela TV Globo mostram que a briga foi para o lado de fora, momento em que Carlos Alberto saca uma arma e dispara contra os outros dois. Segundo testemunhas, foram ouvidos entre oito e dez tiros.
Como os funcionários do restaurante chamaram a Guarda Municipal enquanto a confusão ocorria dentro do restaurante, os agentes chegaram a tempo de deter o atirador, mas não antes de ele efetuar os disparos. Ele foi algemado na rua, preso em flagrante e vai responder por duplo homicídio.
Antes dos tiros em Alphaville, Carlos Alberto havia sido denunciado pela Justiça de Aracaju (SE), por racismo e agressão ao funcionário de um hotel da cidade. Em agosto do ano passado, a juíza Soraia Gonçalves de Melo, da 2° Vara Criminal de Aracaju, aceitou a denúncia contra o médico, mas contrariou pedido do Ministério Público e autorizou que ele voltasse a Barueri (SP), onde residia.
Em 5 de novembro passado, um oficial de Justiça foi até a residência do médico e o intimou para que pudesse se defender no processo.
2026-01-18 08:27:00



