De corpo em Interlagos a roubo em biblioteca, veja os casos que mais desafiaram a polícia de SP em 2025

Autoridades estaduais de Segurança Pública ouvidas pelo GLOBO argumentam que os casos do ex-delegado Ferraz e o da intoxicação por metanol são considerados solucionados, ainda que o mandante da morte do policial e a extensão total da intoxicação permaneçam sem


Autoridades estaduais de Segurança Pública ouvidas pelo GLOBO argumentam que os casos do ex-delegado Ferraz e o da intoxicação por metanol são considerados solucionados, ainda que o mandante da morte do policial e a extensão total da intoxicação permaneçam sem um desfecho claro. Sobre os demais, afirmam que as investigações seguem em andamento e que, portanto, ainda podem ser solucionados.

Adalberto Amarilio Júnior, de 35 anos, compareceu a um evento de motociclistas no Autódromo de Interlagos, na Zona Sul da capital paulista, no dia 30 de maio. Seu corpo foi encontrado quatro dias depois em um buraco de três metros de profundidade por 70 centímetros de diâmetro. Segundo as autoridades, não havia sinal de luta.

O corpo do empresário estava com uma jaqueta, camiseta por baixo e cueca, mas sem calças ou tênis. A câmera acoplada ao capacete, usada por ele para gravar parte do evento, desaparecera. De acordo com o laudo pericial, Amarilio teve morte violenta por asfixia.

A principal linha de investigação aponta que ele teria se envolvido em uma briga ao se dirigir ao estacionamento para buscar o carro após o evento. Frequentador regular do autódromo, Amarilio costumava estacionar seu veículo em uma área fechada ao público geral, possivelmente com o objetivo de evitar filas.

O Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) segue investigando o caso e afirma não saber sequer se o crime foi cometido por uma única pessoa. Centenas de seguranças que atuaram no local foram ouvidos. Uma das empresas responsáveis pela segurança do evento, a ESC Fonseccas Segurança, informou que contava com 188 profissionais naquele dia.

A lista apresentada, no entanto, não incluía dois funcionários. O DHPP apontou possível omissão e pediu mandados de busca e apreensão para ambos, posteriormente localizados no curso das investigações. Um deles era um segurança praticante de jiu-jítsu, que acabou detido por posse irregular de munição. Levado à delegacia em flagrante, ele pagou fiança e responde em liberdade por crime previsto no Estatuto do Desarmamento.

Segundo o DHPP, não há comprovação de seu envolvimento na morte de Amarilio.

Intoxicação em série por metanol

A chamada “onda de intoxicação por metanol” veio à tona no primeiro semestre de 2025, quando hospitais da capital e da região metropolitana passaram a registrar um número atípico de pacientes com sintomas graves após o consumo de bebidas alcoólicas. Os quadros incluíam cegueira súbita, insuficiência respiratória, falência renal e, em alguns casos, morte.

As investigações indicaram que as vítimas haviam ingerido bebidas adulteradas, principalmente destilados vendidos de forma irregular em bares, adegas e festas. Suspeita-se que o metanol tenha sido usado para baratear a produção ou aumentar artificialmente o teor alcoólico das bebidas. A Secretaria da Segurança Pública e a Vigilância Sanitária realizaram operações conjuntas, interditaram estabelecimentos e apreenderam lotes sem procedência.

Apesar das ações, o caso nunca teve todos os seus contornos totalmente esclarecidos. As autoridades afirmam que a origem do metanol foi rastreada até distribuidores clandestinos e que a circulação das bebidas contaminadas foi interrompida. A fábrica clandestina mais notória a cometer o delito seria a de Vanessa Maria da Silva, que foi presa.

Investigadores ouvidos pelo GLOBO afirmam que o episódio é tratado internamente como “tecnicamente solucionado”, apesar das zonas nebulosas. Embora a maioria dos casos tenha sido registrada em São Paulo, outros estados — como Bahia, Rio de Janeiro e Distrito Federal — também confirmaram intoxicações.

No total, ao menos 11 pessoas morreram por intoxicação em São Paulo.

A sequência de ataques a ônibus na região metropolitana começou de forma tão repentina quanto terminou. Ao longo do ano, coletivos foram apedrejados e tiveram seus vidros quebrados, principalmente em corredores estratégicos do transporte público, afetando linhas que ligam bairros periféricos ao centro da capital.

Segundo dados da Secretaria da Segurança Pública, centenas de ônibus foram depredados em diferentes pontos da Grande São Paulo. As investigações indicaram a atuação de pequenos grupos que agiam de forma coordenada, escolhiam rotas específicas e fugiam antes da chegada da polícia.

Apesar do reforço no policiamento e da instalação de câmeras em terminais e corredores, poucos suspeitos foram identificados, e nenhum inquérito conseguiu estabelecer de forma conclusiva a motivação dos ataques.

Inicialmente, as hipóteses para o surto de violência no transporte público incluíram simples vandalismo, ações organizadas de facções criminosas e protestos difusos. Nenhuma delas, no entanto, se sustentou com provas suficientes e o mistério segue.

O assassinato do ex-delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo, Ruy Ferraz Fontes, segue como um dos episódios mais sensíveis e simbólicos de 2025 entre os casos sem desfecho definitivo. Ele foi morto a tiros em uma emboscada no dia 15 de setembro, em Praia Grande, no litoral paulista, na Baixada Santista.

Ferraz foi surpreendido por homens armados, que dispararam e fugiram em seguida. A dinâmica da ação, descrita por investigadores como “precisa e rápida”, afastou desde o início a hipótese de latrocínio.

A Polícia Civil identificou e prendeu os executores. Segundo a investigação, eles foram contratados para cometer o crime, o que levou o caso a ser oficialmente tratado como solucionado. O Ministério Público de São Paulo denunciou oito suspeitos, entre auxiliares e executores.

Apesar de a SSP atribuir a ordem do assassinato ao “crime organizado”, ainda não se sabe ao certo se Ruy Ferraz foi morto por sua atuação como ex-delegado ou por sua gestão à frente da Secretária de Administração de Praia Grande, cargo que assumiu em janeiro de 2023.

Roubo, à pé, de gravuras de Matisse e Portinari

Quase no fim do ano, autoridades se surpreenderam com mais uma ação inusitada. Uma dupla entrou a pé na Biblioteca Mário de Andrade, no Centro de São Paulo, e, sem grande resistência, levou oito gravuras do artista francês Henri Matisse e cinco gravuras de Cândido Portinari, da obra “Menino de Engenho”. As peças integravam a exposição “Do livro ao museu: MAM São Paulo e a Biblioteca Mário de Andrade”, realizada em parceria com o Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM).

Até o momento, três pessoas foram presas. Felipe dos Santos Fernandes Quadra, de 31 anos, foi detido em 8 de dezembro, em uma casa na Mooca, Zona Leste da capital, após ser identificado por câmeras do programa Smart Sampa. Luís do Carmo, também reconhecido pelas imagens, foi apontado como responsável por auxiliar na fuga dos dois homens que entraram armados na biblioteca.

A polícia prendeu Cícera de Oliveira Santos, apontada como companheira de um dos suspeitos e responsável por guardar parte das obras em um apartamento na Rua do Glicério, no Distrito da Liberdade, também no Centro.

Apesar das prisões, nenhuma das gravuras foi recuperada. E um dos participantes do assalto, embora identificado, segue foragido. Autoridades afirmam que a investigação do caso “está avançando” e que há expectativa de solução em breve. Um mistério de peso a menos para a impressionante lista de casos insolúveis em São Paulo em 2025.



Conteúdo Original

2026-01-06 03:30:00

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