A criminalidade tem migrado com rapidez assustadora para as telas de computadores ou celulares. No ano passado, a Polícia Federal (PF) indiciou uma média de cinco suspeitos de cibercrime por dia, alta de 221% em relação a 2023, quando foi criada a Diretoria de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DCiber). Diante da crescente ameaça representada por violação de senhas, invasão de sistemas corporativos, roubo de identidade ou golpes digitais, é necessária vigilância constante de governos e empresas, além de fluxo contínuo de informações para a população saber se proteger.
- Editorial: Explosão de crimes digitais exige ação de autoridades, empresas e usuários
Os cibercrimes constituem uma ameaça global. Em setembro do ano passado, a publicação Cinco Días, ligada ao jornal espanhol El País, revelou que, apenas na Alemanha, França, Itália e Espanha, crimes cometidos no meio digital provocaram perdas de € 307 milhões a corporações num período de cinco anos. Em média, 49% das empresas desses países tiveram algum prejuízo por causa de ciberataques.
- Editorial: Diversificação de atividades do crime organizado é alarmante
Nos Estados Unidos, o FBI criou há 25 anos um departamento para receber denúncias de crimes cometidos na internet — o Internet Crime Complaint Center ou IC3. Nessas duas décadas e meia, o IC3 acumulou mais de 9 milhões de queixas, média de 360 mil por ano. O número de casos tem aumentado à medida que a tecnologia se dissemina. No relatório do ano passado, referente a 2024, o IC3 informa que, nos cinco anos anteriores, o departamento recebeu uma média diária de 2 mil reclamações, atingindo o volume de denúncias mensais do início de sua operação. Os prejuízos causados por cibercriminosos em 2023 e reportados ao IC3 somaram US$ 16,6 bilhões. O uso de criptomoedas para enganar investidores ou lavar dinheiro obtido de forma ilícita tem sido um dos meios preferidos pelos golpistas, cujas principais vítimas estão na população com 60 anos ou mais, que tem menos familiaridade com o meio digital.
No Brasil, a PF tem ampliado os quadros técnicos da DCiber para enfrentar os mesmos crimes registrados no departamento do FBI — como fraudes no reconhecimento facial ou ataques a instituições financeiras. De acordo com levantamento obtido pelo GLOBO, 32% das operações deflagradas pela PF em 2025 têm relação com crimes cibernéticos. No ano passado, na segunda fase da Operação Magna Fraus, com apoio da Interpol e das polícias de Espanha, Argentina e Portugal, a PF desbaratou um grupo especializado em fraudes bancárias, responsável por prejuízos estimados em R$ 813 milhões. O alvo dos criminosos foi a reserva mantida pelos bancos conectados ao sistema de pagamentos Pix.
Já há algum tempo assaltantes e estelionatários procuram atuar longe das ruas, onde correm menos risco físico. Contra eles, além de uma população devidamente informada sobre os perigos, é preciso haver também nas polícias estaduais grupos de investigação como o criado pela PF, em constante atualização. Graças à evolução veloz da tecnologia, a corrida entre a lei e o crime cibernético jamais acabará. As autoridades precisam manter a dianteira.
2026-01-09 00:09:00



