A polícia albanesa prendeu 20 pessoas por envolvimento no contrabando de resíduos tóxicos do país balcânico para a Tailândia, informou a corporação nesta quarta-feira. As prisões ocorreram mais de um ano depois de a promotoria da cidade portuária de Durrës ter aberto investigações sobre mais de 100 contêineres de resíduos perigosos, que supostamente vieram de uma siderúrgica de propriedade turca em Elbasan.
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Anteriormente, os promotores disseram à AFP que 33 mandados de prisão haviam sido emitidos em relação a uma suposta rede de tráfico de resíduos tóxicos, incluindo agentes alfandegários e funcionários da Agência Nacional do Meio Ambiente.
“Não se tratou de um crime isolado, mas de uma série de ações ilegais com graves impactos no meio ambiente, na saúde, nas alfândegas […] e nas práticas comerciais justas”, afirmou um comunicado da promotoria divulgado nesta quarta-feira.
Os supostos crimes incluem tráfico de mercadorias proibidas, abuso de poder e lavagem de dinheiro. A polícia informou que ainda está à procura de outros 13 suspeitos, incluindo três cidadãos turcos e um alemão. As autoridades realizaram buscas nesta terça-feira depois que análises laboratoriais confirmaram que os materiais, devolvidos à Albânia em 2024, eram tóxicos, disseram os promotores.
Os documentos alfandegários indicavam que a remessa transportava óxido de ferro quando saiu do país balcânico rumo à Tailândia. Mas a remessa foi rejeitada depois que um grupo ambientalista alegou que ela continha resíduos tóxicos ilegais, forçando seu retorno à Albânia.
A análise de amostras de resíduos, incluindo material proveniente da siderúrgica Kurum International, de propriedade turca, e de duas empresas albanesas, revelou tratar-se de poeira “perigosa e tóxica” de um “forno elétrico a arco”, afirmou o Ministério Público em comunicado. As amostras também continham material que representa um risco particular para o ambiente marinho. A constatação confirma a alegação do grupo ambientalista Basel Action Network, que motivou a devolução da remessa.
“A Kurum International tinha pleno conhecimento das normas nacionais e internacionais relativas a resíduos”, afirmaram os procuradores.
Lixo em rios agrava enchentes após tempestades na Albânia
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Tempestades e enchentes agravam poluição de rios na Albânia — Foto: Adnan Beci/AFP
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Desde o início de janeiro, chuvas torrenciais deixaram 14 mil hectares inundados, cerca de 1.200 casas alagadas e pelo menos uma pessoa morta na Albânia — Foto: Adnan Beci/AFP
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Embora as águas das enchentes estejam baixando em algumas partes do país, a força das torrentes danificou barragens e algumas áreas permanecem submersas — Foto: Adnan Beci/AFP
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Moradores locais e o primeiro-ministro do país disseram que o fluxo de resíduos para os cursos d’água agravou o problema, obstruindo rios já transbordando — Foto: Adnan Beci/AFP
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Mihallaq Qirjo, da ONG Environmental Resource Centre, afirmou que o problema da má gestão dos rios já era antigo — Foto: Adnan Beci/AFP
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Além dos resíduos, décadas de acúmulo de cascalho e sedimentos nos rios do país reduziram seu fluxo — Foto: Adnan Beci/AFP
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As cheias na cidade portuária de Durrës, que foi duramente atingida pelas fortes chuvas, deixaram para trás montes de lama e resíduos em muitas das margens dos rios da cidade — Foto: Adnan Beci/AFP
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À medida que as águas da enchente descem em direção ao mar, há receios de que, tal como em tempestades anteriores, os resíduos sejam despejados no Adriático e possam ser transportados pelas correntes para outros países — Foto: Adnan Beci/AFP
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Com o aumento da frequência das inundações devido às mudanças climáticas, as baixas taxas de reciclagem na Albânia estão agravando seu impacto — Foto: Adnan Beci/AFP
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Albânia recicla apenas cerca de 15% de seus resíduos plásticos, sendo o restante descartado em aterros sanitários ou ilegalmente na natureza — Foto: Adnan Beci/AFP
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Ao menos uma pessoa morreu e 1.200 casas foram afetadas
Entre os suspeitos estão cinco gerentes da Kurum International, um administrador e um contador. Os 102 contêineres, apreendidos em novembro de 2024, estão agora armazenados em segurança em um porto próximo a Durrës, segundo o comunicado. Especialistas na Albânia começaram a coletar amostras da remessa em outubro passado como parte de uma investigação sobre o contrabando de mercadorias proibidas.
Na época, os promotores disseram que haviam aberto uma investigação sobre suspeitas de contrabando e abuso de poder em cooperação com o Gabinete Europeu de Luta Antifraude. O fundador da BAN, Jim Puckett, disse que não estava claro por que a amostra havia demorado tanto para ser analisada e alertou que o material poderia ter vazado ou sido adulterado nesse período.
Os procuradores argumentaram que as autoridades albanesas não possuíam as instalações necessárias para analisar os resíduos, pelo que as amostras foram eventualmente enviadas para um laboratório italiano. Segundo ativistas ambientais, os resíduos industriais são frequentemente enviados por países ocidentais para serem processados na Ásia e na África, um comércio global que, segundo estimativas, pode valer até 82 bilhões de dólares (cerca de R$ 492 bilhões) por ano.



