Teatro, por Claudia Chaves: “Diana – A Princesa do Povo”

O musical “Diana – A Princesa do Povo” é, antes de tudo, uma experiência de impacto — bela, emocionante e, acima de tudo, surpreendentemente humana. A dramaturgia organiza os momentos mais importantes da trajetória de Princesa Diana de forma clara


O musical “Diana – A Princesa do Povo” é, antes de tudo, uma experiência de impacto — bela, emocionante e, acima de tudo, surpreendentemente humana.

A dramaturgia organiza os momentos mais importantes da trajetória de Princesa Diana de forma clara e envolvente, permitindo que o público compreenda o papel de cada personagem real dentro da engrenagem da monarquia. À medida que os conflitos se intensificam, o espetáculo revela algo essencial: mesmo cercados por protocolos e privilégios, os dramas mais cotidianos também atravessam aqueles que parecem inalcançáveis. E é justamente aí que reside sua força — nos diálogos afiados e na capacidade de aproximar o mito da mulher.

Elenco reúne 23 atores (Sergio Baia/Divulgação)

O coro impressiona pela precisão: canta e dança com rigor técnico, sustentando a narrativa com energia constante. Já Claudio Lins entrega um Charles soberano, com presença vocal e corporal que ultrapassa o realismo — há nele algo de operístico, quase um tenor projetado “dez degraus acima” da figura histórica.

A direção de Tadeu Aguiar acerta ao evitar uma reprodução plástica da versão britânica. Sua adaptação imprime intensidade brasileira aos personagens, tornando-os mais próximos, mais palpáveis — e, por que não, mais contraditórios.

Diana – A Princesa do Povo: primeira versão brasileira da obra propõe nuances mais próximas da realidade emocional da princesa (Sergio Baia/Divulgação)

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A direção musical é de Thalyson Rodrigues; a cenografia, de Natália Lana; os figurinos, de Ney Madeira e Dani Vidal; as coreografias, de Sueli Guerra; e o desenho de luz contribui decisivamente para a atmosfera do espetáculo.

Visualmente, é grandioso — e não apenas como adjetivo, mas como dado concreto. Cenografia e figurinos acompanham com precisão a passagem do tempo, em mutações fluidas que nunca soam excessivas.

Os números impressionam: mais de 250 figurinos, cerca de 1,5 km de tecido, 850 botões, 60 metros de zíper e 15 kg de pedraria. No visagismo, a sofisticação sobe ainda mais: são 58 perucas artesanais, incluindo peças fio a fio para Diana, submetidas a múltiplas descolorações. A Rainha Elizabeth atravessa o tempo também pelos cabelos, com três perucas distintas, enquanto seis perucas platinadas ajudam a construir o imaginário da realeza.

(Sergio Baia/Divulgação)

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A iluminação reforça essa dimensão: mais de 200 refletores, sendo 100 dedicados ao cenário, além de um telão de LED de 9 metros. Um céu de estrelas com mais de 2.000 pontos de fibra ótica cria momentos de suspensão, enquanto quatro lustres monumentais, construídos artesanalmente, descem em cena como símbolos de poder.

Nada disso, porém, é gratuito. A grandiosidade técnica não engole a emoção — ao contrário, a sustenta.

No centro de tudo está Diana: não apenas a princesa, mas a mulher que transformou dor em linguagem pública, fragilidade em potência e empatia em legado.

Entrevista com Tadeu Aguiar

1 – Adaptar Diana foi um exercício de coragem ou de contenção?

Acho que foi de coragem. No original, Diana era tratada com uma certa banalidade. Nas versões, pretendi dar mais profundidade e camadas para tirar a superficialidade.

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2 – Em que momento você passa a pensar mais como diretor do que como adaptador?

Sempre. Quando traduzo, já vou pensando como diretor, em como resolver cada cena sem precisar olhar para o original. Não produzo nada que tenha que ser cópia. Tem que ter o coração batendo em português.

3 – O que mais te diverte no processo de dirigir musicais?

Tudo me diverte, porque é o trabalho que escolhi há 47 anos. É uma delícia ouvir as versões em português, ver a construção dos cenários, das roupas, do visagismo. Tudo isso me faz crer que não é trabalho, é diversão.

4 – Em que momento você acha que estão os musicais brasileiros hoje?

Ainda é difícil encontrar patrocinadores que queiram investir em musicais brasileiros que não sejam biográficos. Temos um musical lindo, do Eduardo Bakr, com música de Guto Graça Mello, que a gente batalha há mais de dez anos. É inspirado no mito do Fausto dentro do universo do futebol. Estamos torcendo para que os investidores entendam a importância de contar nossas histórias com grandes produções.

5- Hoje, o que te interessa mais: o risco de criar algo original ou a reinvenção de uma história já conhecida?

Gosto de correr riscos, sempre corro. Produzo muito sem patrocínio, mas chega uma hora em que os ‘boletos’ aparecem e, inevitavelmente, é preciso fazer algo que o mercado absorva. Sou um artista que produz para o público — preciso dele para continuar. Mas, mesmo nos projetos que já foram testados, como os da Broadway, tudo precisa ter a ver com o que me toca.

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Ingressos no Sympla. 

Claudia Chaves
(Arquivo/Arquivo pessoal)



Com informações da fonte
https://boletimrj.com.br/teatro-por-claudia-chaves-diana-a-princesa-do-povo/

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