O vice-campeonato da Argentina na Copa do Mundo, após derrota para a Espanha no jogo disputado em Nova Jersey neste domingo, causou sentimentos divididos em Lionel Scaloni. Comandante da seleção desde 2018, o treinador de 48 anos reforçou toda a gratidão que sente pelo grupo liderado por Lionel Messi, e com quem venceu o Mundial em 2022, mas não garantiu que permanecerá no cargo para o próximo ciclo. Ele encerrou sua coletiva aos prantos e sob aplausos dos jornalistas.
O momento de emoção veio após Scaloni ter sido perguntado sobre uma possível aposentadoria de Messi e se renovaria seu próprio contrato, que se encerra no final deste ano. O técnico exaltou o cargo, mas disse que uma decisão só será tomada após conversas com Claudio Tapia, presidente da Federação Argentina (AFA).
— Não falei com o Leo (Messi). Quanto a mim, vou falar com o presidente (Tapia): vou cumprir meu contrato e depois verei o que acontece. Sinto necessidade de pensar. Não sei se conseguirei fazer algo tão grande quanto isso. Agradeço ao presidente pela oportunidade, por ter me dado este cargo — disse Scaloni antes de se emocionar na sala de coletiva:
— Este lugar é um sonho para todos. Tentamos, até o último momento, dar o máximo, como comissão técnica e jogadores. Acho justo que eu possa ter este tempo para pensar sobre isso. Este lugar é maravilhoso, um lugar dos sonhos, um lugar onde minha comissão técnica e eu nunca imaginamos estar. Para continuar, muitas coisas são necessárias: recomeçar, formar um grupo como este, que dificilmente se formará novamente. Isso me dói profundamente. Me desculpe — finalizou o treinador, antes de sair sobre aplausos.
Ao analisar a final deste domingo, na qual a Argentina foi dominada na maior parte do tempo e terminou o tempo regulamentar sem finalizações, Scaloni reconheceu a superioridade da Espanha, e preferiu adotar o tom de fortalecimento com a derrota.
— O que eu posso dizer? Estamos tristes porque não conseguimos vencer a final. Queremos agradecer a todo o público, a todas as pessoas que vieram, que nos levaram até esse momento, que nos deram essa força para chegar aqui, sempre com o peito aberto e a fome do jogo. Eles (Espanha) foram vencedores justos, temos que reconhecer. E foi por pouco, faltou pouco. Eu quero agradecer aos meus jogadores, a todos que fizeram parte e que nos ajudaram a chegar a mais uma final de Copa. A partida acabou e temos que seguir. Quando se ganha, está tudo bem. E quando se perde, nem tudo é ruim. Então, agradecimento é a única palavra que me vem à cabeça e também a todo o povo que está sofrendo com a gente. São momentos para que possamos fortalecer o nosso país, o nosso povo e recomeçar — declarou Scaloni.
O treinador comentou sobre a expulsão de Enzo Fernández no final do segundo tempo, após uma falta dura em Cubarsí que lhe rendeu um segundo cartão amarelo.
— Eu não me lembro, eu acho que o primeiro (cartão amarelo) poderia ter sido evitado. Mas, enfim, é assim. Ele não pensou que seria expulso. Eu estava conversando com ele. Meu inglês é um pouco ruim, eu conversei com o árbitro. Mas, logicamente, é uma final de Copa, há coisas que poderiam ser evitadas. Mas já foi, acabou, e não vamos falar nada — garantiu o argentino.
Mesmo assim, o treinador disse aprovar a forma que sua equipe se portou, lamentando as baixas na equipe durante o jogo e valorizando a campanha marcada por jogos emocionantes.
— Eu acho que temos que valorizar o que a Espanha fez, valorizar o nosso oponente. Até o minuto 85, tivemos até algumas oportunidades. Eu gostaria de ver se nós tivéssemos 11 jogadores em campo. Fomos superando os obstáculos ao longo de todo o torneio de formas incríveis. E hoje, foram muitas coisas acumuladas. Claro, a equipe (Espanha) geralmente joga muito bem, mas muitos desses aspectos nos levaram a fazer alterações. As lesões, as discussões… isso vai desgastando. E as substituições que fizemos, foram mais por lesões. Mas eu não me permitiria dizer nada negativo em relação aos meus jogadores. Eu tenho um agradecimento eterno para esse grupo e esperamos que tenhamos a possibilidade de repetir o que fizemos nessa Copa e seguir até o final. É muito difícil essa superação, e dói, nesse momento, não poder ter vencido hoje.



